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Guimarães: Uma rua histórica com nova vida para descobrir

Republica do Polvo (Fotografia: Miguel Pereira/GI)

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Já foi, ao longo dos tempos, chamada de rua Nova do Comércio, rua Nova do Muro ou, simplesmentes, rua Nova, e é por esse nome que ainda muitos a conhecem e tratam, apesar dos registos lhe fazerem menção já desde a Idade Média.

Hoje dá pelo nome de Egas Moniz, em homenagem ao célebre aio de D. Afonso Henriques, personagem de peso na conquista da independência de Portugal, e é um dos troços do centro histórico que melhor conserva a sua autenticidade, ainda de caráter habitacional – denunciado pelos vários estendais de roupa pendurados às janelas.

Está desenhada nas costas da antiga muralha da cidade, estreita e ladeada por edifícios de traço medieval, e é talvez por estar escondida, que ainda não se viu invadida pelas ondas de turistas que percorrem as ruas e praças em redor – de um lado a Alameda de São Dâmaso e do outro o largo da Oliveira -, e que parecem não a descobrir, ainda que tenha tanto a mostrar.

Há vinho, cerveja, arte, boa comida e gulodices, e um ambiente convivial. «As pessoas que vivem nesta rua são muito afetuosas e recebem muito bem todos os novos negócios que se vêm instalar aqui» garante Gabriel Silva, que abriu ali recentemente uma garrafeira e wine bar.

Não foi o único a escolher a rua de Egas Moniz para assentar alicerces. Nos últimos anos têm surgido novos projetos naquela artéria, que vieram dar uma lufada de ar fresco ao centro histórico.

01 | Área 55, nº 55
É uma galeria exclusivamente dedicada ao desenho e à ilustração. Um projeto que Pedro Cunha e a namorada, Joana Ribeiro, decidiram abrir há um ano, depois de terminarem os estudos, ele em desenho, e ela em música. Há uma exposição coletiva permanente, com obras de mais de duas dezenas de artistas – entre eles Pedro – e de mês a mês apresentam uma nova coleção temporária, maioritariamente de autores nacionais, ainda que todos sejam bem-vindos. Há também espaço para livros de ilustração infantis e até livros para colorir. Encerra ao domingo.

Área 55 (Fotografia: Miguel Pereira/GI)

02 | República do Polvo, nº 59
As raízes galegas não deixaram outro remédio a Fernando Salgado senão de aprender a cozinhar polvo. «Aprendi aos 13 anos. Na mesa de Natal de uma família galega tem de haver polvo», justifica. Isso e a experiência que já tinha na área da restauração – teve um restaurante no Rio de Janeiro -, não lhe deixou dúvidas do que fazer quando decidiu vir morar para Portugal com a mulher, Camila. Instalaram-se em Guimarães e foi no centro histórico que encontraram morada para a sua República do Polvo. Ali, Fernando prepara um desfile de pratos onde o dito é rei. Polvo à Lagareiro, à galega, arroz de polvo, feijoada e o afamado polvo à chef, receita da avó ligeiramente adaptada, que leva pimentão, ervas aromáticas e é gratinado no forno. Preço médio: 15 euros

03 | O Sonho de Cinderela, nº 95
Tudo o que uma noiva possa precisar para o seu grande dia encontra naquela pequena boutique, de ambiente acolhedor e paredes em pedra rústica. É o «bar de beleza» de Sofia Marino, como lhe chama, e onde há 6 anos se dedica a «realizar o sonho de Cinderela» das noivas que ali entram. Começou por disponibilizar o serviço de cabeleireiro, estética e maquiagem, mas depressa juntou a vertente de planeamento de casamentos e desde o início do ano o espaço funciona também como showroom de vestidos de noiva, maioritariamente ao estilo boho chic. Encerra domingo e segunda.

O Sonho de Cinderela (Fotografia: Miguel Pereira/GI)

04 | Rua Nova Brewpub, nº 94
Samuel Barros já não era principiante na arte cervejeira quando decidiu instalar-se na cidade-berço. «Já fazia cerveja em casa há pelo menos 10 anos», conta. Gosto que descobriu ainda enquanto jornalista: «escrevia muito sobre cerveja e gastronomia no Brasil». Entretanto mudou de vida e em 2018 abriu o Rua Nova Brewpub – em homenagem ao antigo nome da rua -, um bar underground, que facilmente passa despercebido a quem o vê de porta fechada. Um balcão, um sofá e uma televisão para ver a bola partilham o espaço com a zona de produção, onde Samuel cria as cervejas artesanais que abastecem as torneiras, ao lado de uma seleção de marcas convidadas. A primeira cerveja que produziu ali, e que batizou de Gvimarães, é uma hop lager, leve e frutada, e continua a ser a mais pedida. De quarta a sábado das 20h às 02h.

Rua Nova Brewpub (Fotografia: Miguel Pereira/GI)

05 | O Fadista, nº 111
Nesta casa, como se adivinha, há sempre fado a tocar de fundo e em noites especiais o jantar é até acompanhado por espetáculos ao vivo. As antiguidades dominam a decoração do restaurante, e as cadeiras foram construídas a partir de pipos, com compartimentos para guardar casacos e malas. À mesa chega vitela assada, lombo de boi e lombinhos de porco preto, bacalhau assado, cataplana de marisco e vários petiscos. Tudo regado com vinho verde, pois claro. De quarta a sábado das 18h às 24h. Preço médio: 15 euros

O Fadista (Fotografia: Miguel Pereira/GI)

06 | Evineo, nº 121
Não é uma simples garrafeira. «É um lugar criado para unir a comunidade enófila de Guimarães», lança Gabriel Silva, que juntamente com Tiago Leite fundou o Evineo, com o objetivo de «democratizar o acesso ao vinho». Vinhos de pequenos produtores preenchem as prateleiras com cerca de duas centenas de referências, que vão alternando. E a cada sexta-feira a dupla elege uma seleção de vinhos para servir a copo e à garrafa, já que o espaço também funciona como wine bar. Na longa mesa comunitária ao centro da sala chegam ainda tábuas de queijos e enchidos, para um final de tarde com tudo a que se tem direito. Sexta e sábado das 17h às 21h30. Copo de vinho: 3 euros

07 | Cake n’ Bake, nº 127
Esta acolhedora cafetaria é um projeto de Anabela Lopes, que há um ano e meio se iniciou nos afazeres da pastelaria e do cake design. As especialidades, sempre caseiras, que ali prepara vão variando diariamente, mas muitas vezes incluem brownies, croissants, petit gâteau, pavlova. Para começar bem o dia há ainda papas de aveia, french toasts, panquecas e smoothie bowls. Mas é o brunch a verdadeira estrela da casa, com uma variada seleção de ovos, saladas, shakshuka, e uma grande aposta nos bagels. Tudo salta à vista e consola o paladar. Encerra à segunda.

Cake n’ Bake (Fotografia: Miguel Pereira/GI)