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Foz do Sousa e arredores: banhos de floresta e moinhos centenários

Trilho dos Moinhos de Jancido. Fotografia: André Rolo/GI

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Há três anos, um grupo de amigos de Jancido, lugar de Foz do Sousa, começou a aplicar o seu tempo livre numa missão nobre: devolver à luz e requalificar oito moinhos, com pelo menos dois séculos, que tinham sido engolidos pela vegetação, nas margens do rio Sousa. Desde então, limparam mato, abriram novos trilhos, plantaram 600 árvores autóctones (querem chegar às mil este ano), criaram charcos para atrair anfíbios, aproveitando a escorrência das águas, construíram infraestruturas (inclusive, uma ponte sólida sobre o rio, feita num dia, sem gastar um euro: a Ponte da Linha). É um trabalho voluntário, que conta com a colaboração de terceiros, e não tem fim. Há que assegurar a manutenção, as ideias não param, há mais árvores para plantar, mais caminhos para abrir, intenção de reativar pelo menos um moinho.

António Gonçalves (na fotografia), que aqui serve de porta-voz, diz que o principal responsável é o cantor e compositor Miguel Araújo, ainda que indiretamente. Tudo começou quando o viu atuar no Porto e pensou: porque não levá-lo à Festa de Santo Ovídio, que acontece no último domingo de agosto, em Jancido? Os homens que acabariam por resgatar os moinhos do esquecimento pertenciam à comissão de festas de 2015/16 e empenharam-se em recolher fundos para tal, organizando várias atividades, entre elas, uma caminhada pelo monte. “Isso obrigou-nos a desmatar áreas, e descobrimos o potencial dos moinhos”, um “edificado fabuloso” que estava completamente escondido, a degradar-se, e era recordado com saudade pelos mais antigos.

Fotografia: André Rolo/GI

O Trilho dos Moinhos de Jancido coincide com o traçado da antiga linha férrea que transportava o carvão extraído das minas de Midões até à foz do Sousa, sendo depois levado de barco até ao Porto. Esse caminho estava tomado pela vegetação. Aquele que começa na Ponte de Longras (curiosamente, também reconstruída, em tempos, pela população de Jancido) não existia – foi mesmo aberto por eles, à mão. “O nosso domingo, após o sábado de trabalho, era passado a tirar picos das mãos”, lembra António, que no processo aprendeu a identificar animais e plantas residentes. “Tudo o que é floresta nativa, temos cá”, refere, orgulhoso, enquanto vai apontando azevinhos, loureiros, sabugueiros, carvalhos e diferentes tipos de fetos.

É um percurso de seis quilómetros, devidamente marcado, com muito arvoredo, que tanto fornece sombra durante o calor estival como proteção em dias de chuva. Também por isso merece ser feito em qualquer altura do ano, a pé ou de bicicleta. Pode considerar-se como ponto de partida o Centro de Saúde da Foz do Sousa, uma zona com estacionamento, café e casas de banho. Depois, é só seguir as setas e ir desfrutando da paisagem, pontuada por equipamentos como mesas de piquenique e bancos de madeira, uma fonte, um baloiço ou uma cama de rede. Aqui e ali, brotam medronhos e cogumelos, que dão ainda mais colorido ao quadro.

 

Minas de carvão e arqueologia industrial

Quem quiser ir além do TRILHO DOS MOINHOS DE JANCIDO pode fazer um percurso circular mais amplo, com pouco mais de dez quilómetros, tendo na mesma como ponto de partida – e de chegada – o Centro de Saúde da Foz do Sousa. Para continuar a viagem rumo às ANTIGAS MINAS DE CARVÃO DE MIDÕES, com as suas lagoas azul-turquesa, aconselha-se o uso de bicicleta todo o terreno, caso se vá a pedalar. Chegando ao lugar de GENS, e também para compensar o esforço físico, sabe bem parar na Tasca da Tita (ler abaixo), mas quem preferir fazer um piquenique tem, mais adiante, o PARQUE DE LAZER DE TRAVASSOS, junto à foz do rio Ferreira. À entrada, há a seguinte inscrição: “Aproveita este recanto/ Em forma de bem pensar/ Não chames a ti o pranto/ Destruindo um belo canto/ No qual podes descansar”. Por fim, encontra-se a ANTIGA CENTRAL DE CAPTAÇÃO DE ÁGUAS DA FOZ DO SOUSA (na fotografia), que abasteceu o Porto, e ainda hoje cativa pela imponência.

Fotografia: André Rolo/GI

 

Tasca da Tita: do bilhar às tábuas de petiscos
Já foi escola primária, mercearia, café e salão de jogos. Há pouco mais de um ano, passou a ser a TASCA DA TITA, alcunha de Patrícia Pinto, que conta com a ajuda do marido, Joel Cruz. A casa leva uma existência discreta, no lugar de Gens, na União das Freguesias de Foz do Sousa e Covelo: de fora, não se adivinha o que há no interior. A uma primeira sala com ares de café junta-se outra mais acolhedora, que conjuga pedra e madeira. Ali são servidos petiscos feitos na hora, que os clientes podem agrupar a gosto em tábuas generosas, para partilhar.

Fotografia: André Rolo/GI

Cogumelos recheados com alheira, bacon e queijo mozarela, mexilhões à espanhola, pimentos padrón de produção própria, salada de polvo, moelas, pataniscas e mais integram a carta, assim como pregos, hambúrgueres e sandes (incluindo francesinhas). Ao fim de semana, costuma haver também bucho e orelheira, às vezes papas de sarrabulho. “Fiquei desempregada e um dia vim aqui, olhei para estas paredes e achei que era um desperdício ser um salão de jogos”, lembra Tita, que já gostava de fazer uns pitéus para os amigos e resolveu apostar na restauração. A mesa de bilhar ainda ali está, só que agora come-se sobre ela.

Patrícia Pinto e Joel Cruz.
Fotografia: André Rolo/GI

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