Esta semana fui… ver um jornal ao teatro
Se o teatro é refletir sobre os tempos que vivemos, haverá melhor maneira de olhar de fora para a minha profissão do que vê-la representada em palco? É o que vou fazer esta noite ao assistir à peça “Última hora”, no Teatro Nacional D. Maria II, com Miguel Guilherme e Maria Rueff nos papéis principais. É a história de um jornal à beira do fim, no contexto da “Internet e da partilha grátis de conteúdos, a fuga da publicidadee do público para as plataformas sociais”, diz a sinopse. As expectativas estão em alta. André Rosa
“Última Hora”, no Teatro D. Maria II
Esta semana fui… a uma esplanada “secreta”
A esplanada não é bem secreta, até já falamos dela na Evasões. Porém, parece sempre um bocado secreta pelo ritual de atravessar a movimentada Rua do Bonjardim, entrar na mercearia “O Pretinho do Japão” e atravessá-la toda, aspirando perfume de café moído de fresco, para depois seguir por passagens para o outro lado até desaguar neste recanto quase tropical no coração da Baixa do Porto. Há uma orquestra de passarinhos na árvore mais alta e um recolhimento especial, como se entrássemos noutra dimensão. Dora Mota
A esplanada d’O Pretinho do Japão, no Porto.
Esta semana fui… ler um livro de um fôlego
Tornou-se raro devorar um livro de uma ponta à outra, sem quebras, mas aconteceu neste fim de semana, com “Intimidade”, de Hanif Kureishi. Durante horas, estive na cabeça do protagonista, que decide pôr fim ao casamento, parando apenas para admirar a bela edição da Relógio d’Água garimpada numa feira. Lembrei-me daquele amigo que só tolera ler assim, de um fôlego, obras bem mais volumosas que esta; e partilhei excertos com uma amiga. Reforço de laços através da leitura, à distância, até que voltemos a abraçar-nos. Carina Fonseca
“Intimidade”, de Hanif Kureishi.
O prato da semana
Bacalhau fresco em cama de puré de feijão preto com farofa de enchidos, no Alma Temperada (Olhão)
É um cruzamento entre os sabores e tradições de Portugal e do Brasil o que o chef David Luís propõe neste bacalhau Alma, um dos pratos de peixe da carta do restaurante Alma Temperada, em frente à marina de Olhão. Do nosso país, a tradicional posta de bacalhau fresco; do Brasil, o feijão preto e a farofa. O cremoso puré leva também cominhos à moda do Norte. Na composição cabem ainda couve frita e cenouras baby. Segundo o chef, este prato nasceu de memórias de infância relacionadas com a avó e de uma grande afetividade com o país irmão, alimentada por viagens. E que bem que sabe viajar à mesa. André Rosa
Restaurante Alma Temperada, em Olhão. (Fotografia: Leonardo Negrão/GI)