O novo ancoradouro de Vilarinho de Souto, montado sobre o rio Lima, num dos extremos da Ecovia do Ermelo, é um dos locais onde Cláudia Fernandes costuma organizar os piqueniques de almoço nos tours de um dia da North Land. Antes de descer à margem desse Lima mais amplo e tranquilo, recomenda-se apreciá-lo do alto, da panorâmica que oferece o recém-criado Miradouro da Pedralta, em Gração. “É uma tentativa de descentralizar e levar as pessoas a descobrir todo o território”, afirma Cláudia. Depois de cinco anos a trabalhar em turismo, lançou-se com um projeto seu, direcionado para passeios de jipe e experiências de montanha. “Não fazemos todo-o-terreno”, alerta. “Gostamos que os nossos tours tenham um cariz mais interpretativo. As pessoas têm de perceber onde estão, a importância do território em que estão inseridos, que é Parque Nacional e Reserva da Biosfera. Tentamos sempre sensibilizar para um turismo de natureza responsável”, explica a arcoense, natural de Ázere, mas com uma costela soajeira. “Sou acima de tudo uma apaixonada por Arcos de Valdevez e pelo Alto Minho.”
Ancoradouro de Vilarinho de Souto (Fotografia de Artur Machado/GI)
Durante quatro horas ou um dia inteiro (no segundo caso, os programas incluem um piquenique com produtos regionais ou um almoço num restaurante típico), Cláudia Fernandes cria um passeio à medida do cliente, com várias paragens, para apreciar miradouros ou fazer pequenos percursos pedestres. “Queremos que num dia a pessoa tenha o maior número de experiências locais possível”, afiança.
Nesta encosta da serra do Soajo, a ecovia é um dos produtos mais requisitados. É “um percurso tranquilo” à beira-rio, de cinco quilómetros, que liga Vilarinho a Ermelo. Segue a corrente do Lima, à sombra do arvoredo, e termina numa ponte romana, passando pelos laranjais de Ermelo. “A proximidade com o rio cria aqui um microclima que faz com as laranjas sejam diferentes. São de casca fina, muito doces e com muito sumo”, comenta a guia.
Ecovia do Ermelo (Fotografia de Artur Machado/GI)
Um pequeno desvio, já para o final do percurso, leva ao antigo Mosteiro de Ermelo, uma construção medieval cisterciense de que apenas restam a igreja e as ruínas dos claustros, mas que mantém uma forte tradição romeira, ligada à devoção a S. Bento. “No 11 de julho, as pessoas ainda hoje têm o costume de fazer a peregrinação durante a noite para chegar aqui à primeira missa da manhã”, conta Cláudia, ela própria uma cumpridora da tradição.
Mosteiro de Ermelo (Fotografia de Artur Machado/GI)