Publicidade Continue a leitura a seguir

Entre trilhos e romarias, na Serra da Peneda

Serra da Peneda (Fotografia de Artur Machado/GI)

Publicidade Continue a leitura a seguir

As rochas e troncos cobrem-se de musgo, de um verde vivo que nos envolve. Estamos embrenhados num bosque de vidoeiros e carvalhos, atravessado por várias linhas de água, num trilho que integra a terceira etapa da GR50 Grande Rota Peneda-Gerês, entre Lamas de Mouro, no concelho de Melgaço, e a Senhora da Peneda, Arcos de Valdevez. “Nós fazemos duas etapas por mês, ao fim de semana, ou integral, em oito dias. Recomendo vivamente. Consegue-se descobrir as diferenças entre a Peneda e o Gerês”, diz Bruno Rodrigues, da Montesa, empresa de atividades de natureza que fundou há dois anos. Parou para nos ensinar a fazer um torniquete e a encontrar o Norte com a ajuda de um clipe e uma folha seca. “Tentamos sempre sensibilizar para os perigos da montanha, também fazemos workshops de primeiros socorros e orientação e sobrevivência”, além de caminhadas na montanha, ascensão aos picos do Parque Nacional, river trekking e iniciação à escalada nas fragas da serra da Peneda.

Serra da Peneda (Fotografia de Artur Machado/GI)

Serra da Peneda (Fotografia de Artur Machado/GI)

 

“Sempre tive uma paixão pelo montanhismo, e há dois anos, já tinha aqui umas casinhas de turismo, quis mudar de vida”, desfia o militar de carreira. O nome da empresa é uma espécie de homenagem à cabra-montês, “por ela ser uma boa montanhista”.

O bisavô era da Peneda, “chamavam-lhe o tio Adriano dos ovos. Era contrabandista. Ia a Espanha comprar café e ovos e vendia cá”, conta Bruno, enquanto subimos por um antigo caminho romeiro – a peregrinação à Senhora da Peneda tem mais de 800 anos, “é uma das romarias mais importantes aqui do Alto Minho”.

Santuário da Senhora da Peneda (Fotografia de Artur Machado/GI)

Santuário da Senhora da Peneda (Fotografia de Artur Machado/GI)

 

O santuário, incrustado na serra, num horizonte de fragas, como a da Meadinha, muito procuradas pelos entusiastas de escalada, foi construído entre os séculos XVIII e XIX, mas já muito antes existia ali uma ermida a que os devotos rumavam. Diante da igreja, desenrola-se uma escadaria com duas dezenas de capelas a representar cenas da vida de Cristo. Se depois de a subir sobrarem forças, vale a pena enveredar pelo trilho da Peneda, que sai das traseiras do santuário para o cimo da serra, num percurso circular com 9,8 quilómetros, passando pela Branda de Bouças dos Homens, por um pequeno lago artificial, várias paredes de escalada e varandas sobre a paisagem.

 

Duas paragens no caminho
A pitoresca Branda de São Bento do Cando, na freguesia da Gavieira, é outro lugar de grande romaria no concelho. A peregrinação acontece sobretudo durante o verão, culminando nas festas em honra de São Bento, em julho, que enchem o largo principal da aldeia, junto à capela. Tem-se um vislumbre da branda e do Santuário da Senhora da Peneda, entre outros pontos de interesse, a partir do Miradouro de Tibo, que surge numa curva do caminho que liga Peneda ao Soajo. Dos 800 metros de altitude abre-se uma das mais belas paisagens sobre a serra e o vale da Peneda, uma panorâmica imponente, tal como o silêncio. “Para mim é o miradouro mais bonito. Aqui sente-se a montanha”, diz Bruno Rodrigues.

Miradouro de Tibo (Fotografia de Artur Machado/GI)

Miradouro de Tibo (Fotografia de Artur Machado/GI)

Branda de São Bento do Cando (Fotografia de Artur Machado/GI)