A história da casa foi registada desde o primeiro momento; fotografias de época, relatórios, cadernos de apontamentos e demais objetos guardados cuidadosamente. Por isso, não é de estranhar que a Fábrica Maceira-Liz, em Leiria, tenha o seu próprio Museu do Cimento, com informação diversa sobre o projeto, desde a sua fundação, à data com o nome Empreza de Cimentos de Leiria (E.C.L.). Entre as peças expostas contam-se, inclusive, a colher e o martelo de pedreiro usados no lançamento simbólico da primeira pedra, em 1920 – a inauguração oficial aconteceu três anos depois, com o acender do forno número um.
“É uma situação relativamente rara: no resto da Europa, as fábricas foram alvos militares durante a guerra; aqui, como houve paz, manteve-se tudo”, contextualiza Nuno Maia Silva, da Secil, detentora da Maceira/Liz. Prova de que tudo ali foi documentado desde o zero é uma fotografia da charneca da Maceira assinada por Domingos Alvão. “Não era normal chamar um famoso fotógrafo do Porto à Maceira para tirar fotografias a um terreno vazio; mas houve esse cuidado”, comenta, enquanto conduz a visita pelo museu, que também aborda o processo de fabrico e a atualidade da indústria cimenteira. Com ele, seguem Rogério Ferreira e Abílio Frade, ex-operários habituados a guiar os visitantes pela fábrica, e com muito para partilhar sobre ela.
- (Fotografia de Pedro Cerqueira)
- (Fotografia de Pedro Cerqueira)
Claro que a primeira história a contar é a do cimento, que tem origem romana e era feito com cinzas vulcânicas, entre outros recursos, explica Nuno. “O cimento dos romanos é natural; o de hoje é cimento artificial, que tem uma grande capacidade de resistência”, prossegue. Ao longo do percurso, quem vem de fora fica a saber como é feito agora o cimento (existem diversos tipos, consoante a aplicação desejada). Aprende também a distingui-lo do betão (uma argamassa constituída por cimento, areia, brita e água), e outras curiosidades. Uma delas é que o cimento, antes, era comercializado em barricas de madeira.
Mas a visita à Maceira-Liz não se esgota no museu – há todo um circuito a descobrir. Lá fora, o olhar fica logo preso à locomotiva a vapor da fábrica, que funcionou de 1926 a 1987, atingindo uma velocidade máxima de 30 quilómetros/hora – para suprir as necessidades de transporte, quando tudo começou, foi construído um ramal de ligação à linha do Oeste, entre Maceira e Martingança.

(Fotografia de Pedro Cerqueira)
Outros espaços musealizados a conhecer são a sala de compressores (onde se gerava o ar comprimido necessário para laborar); e a central turbo-geradora (remonta a 1928, foi criada para produzir energia elétrica para as linhas de produção de cimento, e escondia outra central térmica por baixo). A fábrica insere-se num conjunto mais vasto, englobando, por exemplo, as pedreiras e o chamado jardim jurássico. Este último procura recriar um cenário de há mais de 150 milhões de anos e apresenta uma pequena coleção de fósseis encontrados ali.
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