Um olhar inglês sobre Portugal oitocentista
Diário de um périplo por Portugal que constitui um documento ao mesmo tempo crítico e elogioso sobre os portugueses e o seu modo de vida em meados do século XIX. Conheça “Diário de uma viagem a Portugal e ao sul de Espanha”.
O olhar de uma inglesa sobre o Portugal do século XIX impresso neste “Diário de uma viagem a Portugal e ao sul de Espanha”. Dorothy Wordsworth passou aproximadamente um ano no nosso país, percorreu grande parte do Norte e do Centro, esteve em Guimarães, Valença, Ponte de Lima, em Lisboa e no Porto. Encantou-se com Sintra e com o bucolismo de Colares.
Ficamos a saber que, já na altura, o Porto era “uma cidade muito interessante e divertida para um visitante inglês explorar” e que os seus jardins “a tornam uma cidade tão bonita e agradável para viver”, embora se perceba quão diferente era da dos nossos dias. Ler o relato de uma saída do Porto pela Rua de Santa Catarina, por exemplo, mostra como a cidade evoluiu. “Avançando somente alguns passos, damos connosco no meio de um páramo de grandiosas rochas e charnecas selvagens, sem um único traço de humanidade”.
A autora não poupa contudo nos elogios aos portugueses quando se detém nas “muitas e bonitas igrejas antigas do Porto”, dizendo que “não têm rival na arte de entalhar em madeira e esculpir pedra”. Há apenas um reparo: “trabalham muito devagar, mas o trabalho, quando terminado, é de primeira qualidade”.
Dorothy Wordsworth, filha do poeta inglês William Wordsworth, fez esta viagem numa tentativa de tratar a tuberculose, na companhia do marido, um oficial britânico, nascido em Portugal, com quem casou contra a vontade do pai. Deixa-nos o testemunho e o seu encantamento com as paisagens e os costumes portugueses. Numa paragem em Ponte de Lima relata uma receção numa casa solarenga onde faz uma descrição das minhotas. “A beleza das senhoras não era tão notável quanto a sua afabilidade e boa disposição. Não havia entre elas uma única rapariga bonita; mas todas elas tinham bons dentes, olhos escuros e cabelos muito negros”.
“Diário de uma viagem a Portugal e ao sul de Espanha”, de Dorothy Wordsworth. Edições Asa. 320 páginas. PVP: 16,90 euros
Crónica de uma viagem interrompida
“Odisseia Magnífica” conta as peripécias de uma volta ao Mundo no rasto de Fernão Magalhães surpreendida pela covid.
António Graça de Abreu, prestigiado sinólogo português, professor universitário, tradutor, com obra de relevo publicada e um prémio de tradução no vasto currículo, iniciou, em janeiro, a sua segunda volta ao Mundo – e este livro, lançado em setembro pela Guerra e Paz, dá conta dessa viagem no rasto da passagem de Fernão de Magalhães.
O professor de Sinologia (a dar aulas atualmente na Universidade de Aveiro e no Museu do Oriente) decidiu, desta vez, seguir por Itália, França, Espanha, Portugal, Cabo Verde, Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Peru, Polinésia Francesa, Nova Zelândia, Austrália. Porém, a sua odisseia foi surpreendida e interrompida pela pandemia de covid-19 e foi preciso navegar o Magnífica pelos mares em busca de bom porto.
“Odisseia Magnífica”, de António Graça de Abreu. Guerra e Paz. 184 páginas. PVP: 16 euros