Doçaria conventual e outros tesouros do Mosteiro de Arouca

Mosteiro de Santa Maria de Arouca (Fotografia: Fábio Poço/GI)
Em tempos um dos mais importantes mosteiros femininos do país, o Mosteiro de Santa Maria alberga hoje um Museu de Arte Sacra, com um valioso espólio de pintura, escultura e ourivesaria. Vale também a pena conhecer outro dos tesouros deixados pelas monjas, a doçaria conventual, e partir à descoberta de um território que é Património Geológico da Humanidade.

Arouca tem “uma jóia monumental no centro da vila”. Agostinho Ribeiro refere-se ao Mosteiro de Santa Maria, que coordena, em representação da Direção Regional da Cultura do Norte, e em forças conjuntas com a Câmara Municipal de Arouca e a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda. Originalmente um mosteiro benditino dúplice (para homens e mulheres) fundado no século X, ganhou maior relevo a partir do século XII, já exclusivamente feminino, quando D. Sancho I o doou à filha D. Mafalda. Terá sido por vontade da infanta que a comunidade monástica adotou a regra de Cister e a sua presença influenciou a entrada de muitas outras mulheres da alta nobreza e o consequente crescimento do seu património.

“Foi um rico mosteiro, resultado de grandes atos mecenáticos de famílias abastadas e poderosas que mandavam para ali as filhas”, explica o diretor do Mosteiro e Museu de Arte Sacra, onde, entre muitas outras peças de valor, pode-se apreciar um tapete persa do século XVI, do enxoval de uma noviça.

O museu, considerado um dos melhores do seu género na Península Ibérica, conserva grande parte do recheio do extinto mosteiro, abrangendo quadros do século XVI atribuídos a Diogo Teixeira, relicários, uma escultura da Rainha Santa Mafalda (beatificada no século XVIII, após a descoberta do seu corpo em estado incorrupto), manuscritos litúrgicos e peças de escultura, pintura, tapeçaria e ourivesaria. O espólio foi conservado por esforço da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda.

A mais recente intervenção no monumento trouxe uma nova estrutura de acolhimento aos visitantes, que permitiu melhorar os acessos e ampliar a área visitável. A obra pôs a descoberto vestígios da construção primitiva medieval, ocultada pelas grandes renovações dos séculos XVII e XVIII, que deram o aspeto atual ao mosteiro.

O circuito de visita permite conhecer o claustro, a antiga cozinha e o refeitório, o capítulo e o museu, e termina no coro, já na igreja setecentista, com traço de Carlo Gimach. Aí observam-se belos retábulos de talha dourada, o túmulo de ébano de D. Mafalda, o notável cadeiral e o belíssimo órgão ibérico, que se ouve tocar ocasionalmente, nos concertos e recriações históricas de que o mosteiro e a igreja são habitualmente palco. Poderá dizer-se também que os tesouros do Mosteiro de Arouca se estendem para lá das suas paredes. Do outro lado da rua, as receitas de doçaria conventual criadas pelas monjas são passadas de geração em geração, como uma herança que se pode provar.

 

Quinta do Pomar Maior
A poucos quilómetros do centro da vila, dorme-se entre 200 árvores de fruto, duas piscinas, jardins, hortas, galinhas, patos e uma gata chamada Flor. É este o cenário da Quinta do Pomar Maior, uma unidade de agroturismo composta por duas casas T4, dois apartamentos T1 e dois quartos duplos. Todos têm nomes de algumas das referências mais emblemáticas de Arouca, como o mosteiro, a Serra da Freita, as trilobites e as pedras parideiras. O património natural do concelho inspira espaços de lazer por toda a propriedade, criados com espécies autóctones da região que onvidam a desfrutar da natureza envolvente. Quarto duplo a partir de 85 euros, com pequeno-almoço.

Quinta do Pomar Maior (Fotografia: Maria João Gala/GI)

 

Assembleia Wine Bar & Restaurant
Começou como bar, entretanto virou restaurante. No Assembleia aposta-se nascarnes da região, como a posta arouquesa, servida com arroz de fumeiro, a vitela assada e o cabrito. Nas sobremesas transparece a ligação ao território em propostas como as minas crocantes, em alusão às antigas explorações de volfrâmio, que combina crumble de maçã e gelado de baunilha. Quem preferir provar as gulodices que se faziam no Mosteiro de Arouca, encontra mesmo em frente ao monumento, na Casa dos Doces Conventuais de Arouca, as castanhas, charutos de amêndoa, barrigas de freira ou a morcela doce.

Assembleia (Fotografia: Maria João Gala/GI)

 

Arouca Geopark
Os famosos Passadiços do Paiva, que se estendem por nove quilómetros na margem esquerda do rio, são apenas uma das muitas atrações do Arouca Geopark, área com 328 quilómetros quadrados, distinguida como Património Geológico da Humanidade. Nele há pedras parideiras, paisagens de postal e fósseis de animais que viveram há 500 milhões de anos, como as trilobites. O parque tem 41 geossítios (locais de interesse geológico) e alguns deles são admirados do alto da nova Ponte 516 Arouca. Com 516 metros de comprimento e 175 de altura, é uma das maiores pontes pedonais suspensas do Mundo.

Arouca Geopark (Fotografia: GI)

 



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