Sete dias. Foi este o tempo de que Daniela Ruah dispôs para saltar da frente para trás das câmaras e comandar um episódio de “Investigação Criminal: Los Angeles”, série que interpreta desde 2009. O episódio em questão chega aos ecrãs nacionais às 22h15 de 1 de abril, através da Fox, e assinala a estreia da artista portuguesa como realizadora. Foi um “desafio completamente diferente”, disse à Lusa.
O capítulo ganhou forma entre os passados dias 12 e 19 de janeiro e, apesar de a pandemia de covid-19 já ter tomado conta do mundo, não vai poder ser vista ao longo dos cerca de 40 minutos que o compõem. “Se alguém quer desligar do mundo e ver uma coisa que entretém, não quer estar a desligar as notícias e depois ver personagens fictícias a usar máscaras e a lidar com a pandemia na televisão”, explicou.
Aliás, diz, o sucesso de “Investigação Criminal: Los Angeles”, spin-off de “Investigação Criminal”, prende-se precisamente com o facto de a trama ser permanentemente positiva. “No fim, os bons ganham sempre. É raro nós não ganharmos no fim e as pessoas sentem conforto nisso”, acrescentou.
- Daniela Ruah estreia-se como realizadora. (Fotografia: DR)
- Daniela Ruah estreia-se como realizadora. (Fotografia: DR)
Ter dado o passo para se aventurar na realização, e logo na meca do entretenimento, é a concretização de um sonho antigo, que só se tornou possível porque Hollywood lhe deu essa oportunidade e a deixou à-vontade, em especial porque este universo, que ainda é dominado por homens, está a abrir-se cada vez mais ao feminino. “Tínhamos muito a imagem de um homem branco atrás das câmaras e a liderar uma equipa inteira, e hoje em dia temos uma abertura muito diferente. Há uma série de filmes – tanto os mais comerciais como os mais independentes – que estão a ser realizados, produzidos e escritos por mulheres ou pessoas com ‘backgrounds’ diversos. Acho que isso traz muita riqueza”, frisou.
Além disso, prossegue, Daniela Ruah, atualmente com 37 anos, está bem ciente das dificuldades em seguir realização nos Estados Unidos. Não que o queira, sublinha, porque não se vê a trocar “uma carreira pela outra”. “Os canais de televisão gostam de trabalhar com pessoas que conhecem e em quem confiam”, explica.
E David Paul Olsen, com quem a luso-americana se casou em 2014, também marca presença em “Russia, Russia, Russia”, o título do episódio de Daniela. “Eu não posso trabalhar as horas que trabalho se o meu marido não faz parte a 100% desse processo. Ele toma conta dos miúdos, ele cozinha, ele faz tudo o que precisa de fazer, cancela os planos dele para encaixar os meus planos de realização, porque me apoia a 100%”, conta, sobre o pai dos seus dois filhos, duplo na série e irmão do ator Eric Christian Olsen (que veste a pele de Marty Deeks na mesma trama).

Daniela Ruah estreia-se como realizadora. (Fotografia: DR)
Daniela realiza telefilme para a RTP1
O sonho da realização vai atravessar fronteiras e a atriz vai conseguir concretizá-lo também no nosso país ao integrar o projeto “Contado por Mulheres”. Este é uma aposta da Ukbar Filmes e da RTP1, em coprodução com a Krakow Film Klaster (Polónia), composta por dez telefilmes que serão rodados entre abril e agosto na região Centro de Portugal e emitidos no horário nobre da RTP1 no último trimestre do ano.
O livro “Os Vivos, o Morto e o Peixe Frito”, de Ondjaki e adaptado por José Pinto Carneiro, servirá de inspiração à artista. Trata-se de um “programa audiovisual inédito de empowerment que permitirá fazer chegar dez talentosas profissionais ao mercado nacional e internacional, corrigindo um profundo desequilíbrio no mercado português e seguindo a tendência europeia”, dizem os produtores, Pandora da Cunha Telles & Pablo Iraola. “Visa (…) colmatar uma assimetria no acesso das mulheres realizadoras ao meio audiovisual, o que tem vindo a ser sido corrigido a nível europeu. Assim, todo este projeto, além de ser empreendedor por permitir novas qualificações e um mercado de trabalho inclusivo, é também uma ação inovadora e que constitui algo nunca feito em Portugal”, acrescenta o comunicado enviado às redações.
“Este projeto distingue a RTP1 enquanto principal motor da produção de ficção portuguesa de qualidade para televisão, permitindo envolver uma equipa criativa e de produção de mais de uma centena de pessoas – mesmo num momento adverso como o que vivemos”, acredita José Fragoso, Diretor de Programas do canal público.
Os restantes telefilmes estarão a cargo de Anabela Moreira, Ana Cunha, Cristina Carvalhal, Diana Antunes, Fabiana Tavares, Laura Seixas, Maria João Luís, Rita Barbosa e Sofia Teixeira Gomes.
