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Crónica de Ana Luísa Santos: A resolução é sair de casa

Documentário Free Solo.

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Hoje é dia 24 de dezembro, no entanto esta crónica não é sobre o Natal. Ainda equacionei fazê-lo mas, na verdade, este ano não tenho uma réstia daquilo a que chamam “espírito natalício”. Não há árvore montada em minha casa, não há luzes a piscar e o único presente que comprei já foi oferecido. Enquanto escrevo este texto, com uma valente constipação, nem sequer tenho a certeza de como será a Consoada. Portanto, decidi focar-me na celebração que se segue – a passagem de ano -, e na minha única resolução – passar mais tempo ao ar livre. É só isto que eu pretendo para o próximo ano. Não me posso queixar de 2021, apesar de todos os desafios que nos foram lançados, mas espero que 2022 me traga mais tempo fora de casa. Mais caminhadas, mais trilhos, poder conhecer todos os parques e jardins que me rodeiam, voltar a acampar, experimentar – finalmente – andar num balão de ar quente, saltar de paraquedas e aventurar-me a escalar em rocha.

A vontade não é de agora, mas foi aguçada pelos filmes que vi nos últimos tempos: “Valley Uprising”, “Free Solo” e “The Dawn Wall”, todos eles sobre escalada no Parque Nacional de Yosemite, nos EUA, “The Alpinist”, que conta a história daquele que foi um dos mais ousados alpinistas de sempre e “Leave no Trace”, baseado no livro “My Abandonment”, que segue a história de um pai e de uma filha que vivem numa floresta, na cidade americana de Portland. Em comum, têm as belíssimas imagens capturadas da Natureza e os desafios impressionantes de quem optou por vidas pouco convencionais.

Todos me impressionaram muito, mas o “The Alpinist” marcou-me especialmente. Durante uma hora e meia somos levados a conhecer a vida de Marc-André Leclerc, um recatado jovem canadiano que desafiou os limites da aventura, escalando alguns dos lugares mais inóspitos do planeta. Não tinha telemóvel e, muito menos, se preocupava em partilhar os seus incríveis feitos nas redes sociais, afirmando que o que importava para ele era o que sentia enquanto escalava.

Não há absolutamente nada de mal em partilhar a vida, ou parte dela, nas redes sociais – eu também o faço – mas foi refrescante, e atrevo-me até a dizer inspirador, “conhecer” alguém como o Marc-André, que era excelente na sua arte e nunca procurou validação em ninguém, a não ser nele próprio. A montanha chamava e ele ia, muito graças, também, a uma mãe que o deixou ser livre, mesmo sabendo dos riscos que isso implicava.
Que 2022 dê mais coragem a quem precisa para fazer aquilo que quer, para mudar ou para ser. No meu caso, que me dê mais força para deixar o sofá e o “scroll” inconsciente nas redes sociais e ir à aventura sempre que o ar livre chamar.