Durante a infância, Miguel Torga era ainda Adolfo Correia da Rocha e vivia na terra onde nasceu a 12 de agosto de 1907, São Martinho de Anta. Ainda não tinha visto o mundo, mas aquela infância passada na ruralidade de uma pequena terra transmontana enformou o seu olhar sobre o resto do mundo, que começou a conhecer aos 10 anos, quando foi viver para o Porto.
Esta casa de agricultores – onde voltava com frequência – abriu ao público em janeiro, musealizada. Foi a filha dele e de Andrée Crabbé, Clara Crabbé Rocha, que doou a casa à Direção Regional de Cultura do Norte. Situada na mesma rua do Espaço Miguel Torga, entra em diálogo com aquele centro, onde se aprende sobre a vida e a obra do autor.
- Sala da Casa Miguel Torga (Fotografia de Rui Manuel Ferreira/Global Imagens)
- Quarto da Casa Miguel Torga (Fotografia de Rui Manuel Ferreira/Global Imagens)
A casa, reabilitada, mantém pormenores exteriores de inspiração belga, acrescentados nos anos 60 por Andrée. Antes de se entrar para a casa, na antiga garagem exibe-se em loop um excerto da série documental da RTP “Eu, Miguel Torga”, onde se vê o o escritor sentado à lareira, cenário igual ao que se encontra ao cruzar a porta da casa.
A sala foi a única divisão da casa que se conseguiu manter na sua forma original. Para o resto da habitação – quartos e cozinha – já não havia espólio. É na sala e no hall de entrada e no pequeno corredor que liga os quartos à sala que se encontram preciosidades como a boina do autor de “Contos da Montanha”, os seus objetos em barro de Bisalhães, a sua certidão de nascimento e de licenciatura e várias edições originais, algumas ainda assinadas com o seu nome de batismo.
- Jardim da casa. (Fotografia de Rui Manuel Ferreira/ Global Imagens)
- (Fotografia de Rui Manuel Ferreira/Global Imagens)
Nos quartos encontram-se vários núcleos museológicos, um dedicado à sua biobibliografia, outro dedicado à esposa de Torga, ensaísta, investigadora de literatura portuguesa e professora universitária, outro dedicado aos prémios a si atribuídos. Cá fora, no jardim que o casal tão bem tratava, pode passear-se e apreciar as árvores por eles plantadas.
Espaço Miguel Torga
Através de 27 painéis, este espaço dá a conhecer a vida e a obra daquele que deu Trás-os-Montes a conhecer ao mundo. Inaugurado em 2016, o edifício tem projeto arquitetónico de Souto Mouro, Prémio Pritzker em 2011. A biografia de Torga é aqui acompanhada por vários textos seus, uma ótima iniciação à obra do autor. Aqui também acontecem exposições temporárias e concertos.

Espaço Miguel Torga. (Fotografia de Rui Manuel Ferreira/Global Imagens)
Negrilho e Busto
Era no Largo do Eirô, a poucos metros de sua casa, que estava o negrilho que inspirou um dos mais famosos poemas – “A um negrilho”. A árvore secou e a junta de freguesia convidou o escultor Óscar Rodrigues para intervencionar a raiz de três toneladas. Nasceu assim “Torga e as suas raízes”, uma escultura que provocou polémica e que pode ser vista exatamente nesse largo. Atrás, uma estátua, um busto discreto de Torga, da autoria de Laureano Ribatua, homenageia também o escritor.

Escultura de Miguel Torga no negrilho. (Fotografia de Rui Manuel Ferreira / Global Imagens)
Trilho de S. Martinho de Anta
Entre Vila Real e Sabrosa há vários roteiros torguianos para percorrer e conhecer os espaços que inspiraram o escritor. No trilho de S. Martinho de Anta, que começa precisamente na casa dele, passa-se pelo negrilho, pela igreja, pela Fonte de Arcã, a Mamoa das Madorras – na foto – e termina-se na Capela da Azinheira, do século XVII, no alto da serra com o mesmo nome. É uma das melhores vistas sobre o concelho de Sabrosa. Em frente ao templo está o “mar de pedra” de vegetação rasteira, percorrida por perdizes e coelhos. Do outro lado, a região vinhateira, de onde sai o “sol engarrafado” para “embebedar os quatro cantos do mundo”, como escreveu Torga.

Mamoa de Madorras, nos Trilhos de Miguel Torga. (Fotografia de Rui Manuel Ferreira/Global Imagens)
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