Como começar a praticar para hortelão

O inverno (ainda mais em confinamento) pode ser uma boa altura para começar a cultivar. Fotografia: João Manuel Rodrigues/GI
O inverno pode ser uma boa altura para se familiarizar com a terra, para estar em plena forma para as mais abundantes sementeiras da primavera.

Mesmo que o melhor tempo de sementeira seja o anúncio da primavera, pode deitar mãos à terra em janeiro e em fevereiro. Pode e deve fazê-lo em especial se for apreciador de ervilhas, alhos, nabos, cenouras, favas e rabanetes, que são algumas das hortícolas a semear em janeiro; e ainda de couves, nabo, nabiça, pimento, alho-francês, repolho, feijão e tomate, que são as sementeiras de fevereiro.

Começar uma horta é, por outro lado, uma boa forma de treinar algumas práticas para estar mais preparado para as sementeiras de março e abril. E ainda de se ir equipando com as ferramentas essenciais de horticultor, como tesouras de poda e regador. Antes de tudo, procure um lugar na varanda onde estejam garantidas algumas horas de luz e sol por dia para projetar a sua horta – que apenas começa agora.

Aproveite também essas boas horas para se ocupar dos vasos e das floreiras, tendo em conta que os viveiros e as lojas de material agrícola estão entre os estabelecimentos que podem manter-se abertos durante o confinamento. Procure o que estiver mais próximo e faça as suas compras – pode até telefonar e perguntar se podem entregar-lhe em casa os vasos e tabuleiros de germinação, substrato e as ferramentas.

Segundo o agrónomo Luís Alves, do Cantinho das Aromáticas, a primeira coisa a fazer é procurar sementes tradicionais e de agricultura biológica e conferir a validade. Há algumas lojas online de sementes que pode consultar. Em seguida, escolher um bom substrato para a germinação e usar um tabuleiro alveolado para semear ou, em alternativa, caixas vazias de ovos ou de transporte de fruta (peça-as no supermercado), sendo que estas últimas devem ser forradas com tela.

Depois de ter os seus tabuleiros ou caixas de germinação preparados, é altura de semear. Para tal, há que seguir a prática correta e não algumas imagens românticas que possamos ter na cabeça: “é preciso ter cuidado com a altura a que se coloca a semente, que deve ter uma relação de duas a três vezes o seu tamanho”, refere o agrónomo. Isto significa que as sementes muito pequenas ficam praticamente à superfície.

Deitada a semente à terra, deve-se peneirar substrato por cima, compactar um pouco e depois regar. Feita a sementeira, coloque as sementes a germinar num lugar onde possa controlar as condições de temperatura e humidade… e onde o gato e o cão não possam ter acesso.

Caso compre mudas enraizadas, tenha o cuidado de transplantar com o torrão da raiz e plantar na terra ao mesmo nível do tabuleiro de germinação. Veja nestas páginas quais as ferramentas essenciais de um horticultor.

Fotografia: Sara Matos/GI

# FERRAMENTAS E CUIDADOS

Uma boa tesoura de poda é uma ferramenta essencial a ter e deve escolher uma de boa qualidade para que seja fiável e dure muito tempo. Um dos critérios de escolha é a ergonomia: verifique se consegue abri-la e fechá-la só com uma mão. A necessidade de ferramentas varia com os desafios do jardim ou da horta, mas Luís Alves recomenda um conjunto básico composto por tesoura de poda clássica (com uma lâmina e um batente), tesoura de colheita (com duas lâminas), serrote com lâmina retrátil (para quem precisar de cortar ramos de pequenos arbustos) e enxadas, caso tenha algum espaço para sachar.
As ferramentas da horta devem ser limpas depois de cada utilização e, pelo menos três vezes por ano, oleadas com um óleo próprio (ou então, oleá-las quando for passar um período longo sem as usar). Devem-se guardar as tesouras de poda sempre distendidas e, na altura de as afiar, usar uma pedra adequada.

Fotografia: João Manuel Rodrigues/GI

Os provérbios da época

“Se queres ser bom ervilheiro, semeia no crescente de janeiro” ou “Se queres ser bom alheiro, planta os alhos em janeiro” são alguns provérbios agrícolas desta época do ano. E se em janeiro as culturas querem geada; em fevereiro quer-se a neve bem longe e chuva quanto baste. É o que nos revela a sabedoria popular com os adágios “fevereiro chuvoso faz o ano formoso”, “fevereiro enxuto rói mais pão do que quantos ratos há no Mundo” e ainda “quando não chove em fevereiro, nem bom prado nem bom palheiro.

Livros para começar

“A minha horta é biológica” e “Uma horta em casa” são dois bons livros para quem se vai iniciar na horticultura caseira, tendo como autores uma dupla de mãe e filho. Isabel de Maria Mourão (agrónoma) e Miguel Maria Brito (arquiteto paisagista) criaram estes guias com muita informação prática e visual, destinados a quem quer criar uma horta em casa, especialmente em família.

Imagem: DR



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