Ciclo de visitas revela os segredos do cemitério romântico da Lapa, no Porto

Cemitério da Lapa (Fotografia de Pedro Granadeiro/GI)
Até setembro, a Irmandade da Lapa promove mais um ciclo de visitas temáticas, guiadas por investigadores, que levam os visitantes numa viagem no tempo, pelas histórias dos monumentos e personalidades ali sepultadas.

Considerado o mais antigo cemitério romântico português, quando foi construído, na década de 1830, o Cemitério da Lapa foi pensado tanto para os que ali tivessem a sua última morada, quanto para os que fossem de passagem. “É um lugar para acolher os mortos, mas também um espaço de fruição para os vivos, um espaço de vaidade. E por essa vaidade temos estes monumentos maravilhosos”, comenta Maria Rebelo, provedora da Irmandade de Nossa Senhora da Lapa, na abertura de mais uma visita guiada, do ciclo de visitas temáticas que dão a conhecer as muitas histórias e curiosidades deste que é um“museu a céu aberto”, descreve a responsável.

Cemitério da Lapa (Fotografia de Pedro Granadeiro/GI)

 

Orientada pelo investigador Jorge Ricardo Pinto, uma das últimas sessões concentrou-se nos lugares de descanso e vidas de algumas personalidades da burguesia portuense do século XIX, intimamente ligadas à história da cidade. E até setembro, a Irmandade promove mais duas visitas guiadas por historiadores que levam os visitantes numa viagem no tempo, sob o mote “Depois da Morte, Tudo se Sabe: segredos à vista de todos”. Os jazigos e capelas de figuras e famílias proeminentes da sua época servem de exemplo ao estudo da história da arte e também de pretexto ao relato de episódios de índole privada e outros que se relacionam com a vida política, social e cultural do Porto.

Aí encontram-se sepultadas várias personalidades ilustres, como os escritores Camilo Castelo Branco, Arnaldo Gama e Soares de Passos, o arquiteto Marques da Silva e a artista Armanda Passos, e ainda o industrial José Ferreira Borges.

Cemitério da Lapa (Fotografia de Pedro Granadeiro/GI)

Cemitério da Lapa (Fotografia de Pedro Granadeiro/GI)

 

A criação do Cemitério da Lapa, classificado como Imóvel de Interesse Público, acontece no seguimento do Cerco do Porto e da posterior epidemia de cólera que levaram à lotação dos antigos locais de enterramento, no interior das igrejas portuenses. É então que a Mesa Administrativa da Irmandade da Lapa pede a D. Pedro IV autorização para construir um cemitério privativo exterior à sua igreja. É um cemitério da burguesia portuense, concebido como um espaço arruado e ajardinado, com monumentos a preceito, símbolos de saudade mas também de ostentação, e que por isso convida também ao passeio e à apreciação das várias obras de arte de arquitetura e escultura, passando pelas artes do ferro e da cerâmica, que nele encerra.

 

# O primeiro jazigo-capela da lapa
Logo à entrada do cemitério, no canto poente, foi mandado erguer pelo negociante abastado José Henriques Soares o primeiro jazigo-capela da Lapa. Henriques Soares terá sido um fervoroso apoiante de D. Pedro IV, querendo construir um jazigo de família que ficasse o mais perto possível do coração do monarca, na capela-mor da Igreja da Lapa.

# Última morada dos suicidas
No jazigo da família Freitas Fortuna estão sepultados não um, mas três suicidas. O mais ilustre de todos é Camilo Castelo Branco, que terá pedido ao amigo José António de Freitas Fortuna, um homem de negócios da rua das Flores, que o acolhesse depois da morte no jazigo da sua família. Os outros dois suicidas são os protagonistas de uma história de amor proibido: Urbino Emilo e Clementina Sarmento, sua amada.

Cemitério da Lapa (Fotografia de Pedro Granadeiro/GI)

 

Visitas Temáticas ao Cemitério da Lapa
# Preçário:
Individual – 5 euros
Individual + livro O Cemitério da Lapa – 7,5 euros
Família/Grupo (4 pessoas) – 15 euros
*Inclui oferta de 1 exemplar do livro O Cemitério da Lapa, de Francisco Queiroz

# Próximas visitas:
9 de setembro | 18h00
“Sinais da Maçonaria no Cemitério da Lapa – entre o Símbolo e a História” por Sérgio Veludo

29 de setembro | 15h30
“Camilo Castelo Branco – O Gigante de Seide” por César Santos Silva



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