Porto: na Casa-Museu Fernando de Castro não há espaços em branco

A sala regional, ou minhota. (Fotografia de Pedro Granadeiro/GI)
A Casa-Museu Fernando de Castro, no Porto, tem uma decoração exuberante, quase esmagadora, assente em madeiras escuras, talhas douradas, peças de arte sacra e pintura. Estão por todo o lado, do chão ao teto, por isso se fala num “horror ao vazio”.

Por fora, o edifício passa despercebido, mas lá dentro o olhar ergue-se em espanto, porque há obras de arte do chão ao teto. Os três andares da Casa-Museu Fernando de Castro exibem uma mistura de talhas douradas, madeiras escuras, livros, cerâmica, escultura e outras peças, com destaque para a arte sacra e a pintura portuguesa naturalista e tardonaturalista. Mais de 3000 objetos compõem a coleção, ali reunida quase por inteiro. Em todas as salas se nota “um horror ao vazio, não há espaços em branco”, sendo a decoração igualmente intensa nos corredores, no vestíbulo e nos patamares das escadas, observa Ana Anjos Mântua, coordenadora da Casa-Museu.

Casa-Museu Fernando de Castro (Fotografia de Pedro Granadeiro/GI)

 

Nas visitas guiadas, realizadas por marcação, conta-se a história da família que habitou aquela casa, batizada com o nome do protagonista: Fernando de Castro filho, colecionador, poeta e caricaturista falecido em 1946. O edifício foi mandado construir por Fernando de Castro pai, que vira prosperar o seu negócio de vidros, espelhos e papéis pintados, na Rua das Flores. E, na primeira metade do século XX, o filho abriu a residência ao público, com visitas orientadas pelo próprio, segundo a coordenadora do espaço, hoje sob a alçada do Museu Nacional Soares dos Reis.

Casa-Museu Fernando de Castro (Fotografia de Pedro Granadeiro/GI)

 

O ponto de partida é a sala regional, ou minhota, porque abundam as referências a essa região do país, dos arraiais aos corações de Viana. Seguem-se divisões como a sala de jantar, a sala de baile ou a sala azul, sem esquecer o antigo escritório de Fernando de Castro, onde está um exemplar do livro “Meteoro”, escrito em homenagem ao sobrinho que morrera ainda bebé. “Ele escreveu seis livros, entre eles ‘Altar sem culto’”, título que se pode aplicar à sua casa, comenta Ana Anjos Mântua. Afinal, abundam as estruturas vindas de espaços religiosos e adaptadas àquele lugar: talha, muita talha, e também partes de cadeirais, figuras de anjos e mártires, altares, oratórios.

O ambiente torna-se mais carregado e opressor à medida que se sobe ao último andar. Nos patamares das escadas surgem como que capelas, e lá no cimo há mesmo um púlpito e um vitral colorido.



Três momentos da visita:

# Sala de baile
Também apelidada de sala dourada, amarela ou da música, é descrita por Ana Anjos Mântua como “a única sala de caráter palaciano”, desprovida de imagens religiosas (excetuando os querubins integrados na talha dourada).

Casa-Museu Fernando de Castro (Fotografia de Pedro Granadeiro/GI)


# Sala azul
Neste espaço de tons azuis, onde terá existido uma biblioteca, destacam-se as peças orientais – dos leques a figuras características do sul da China, passando por uma caixa de tabaco japonesa da escola de cerâmica Sumida Gawa.

Casa-Museu Fernando de Castro (Fotografia de Pedro Granadeiro/GI)


# Quarto
No último andar fica o quarto de Fernando de Castro, onde não faltam também figuras religiosas. Guardadas numa mesa de cabeceira estão ainda duas peças de cerâmica de Raphael Bordallo Pinheiro: um escarrador e um penico John Bull.

Casa-Museu Fernando de Castro (Fotografia de Pedro Granadeiro/GI)

 

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