Carnavais tradicionais: caretos e cardadores na rua, com alguns ajustamentos

Os caretos de Podence são Património Cultural Imaterial da Humanidade. Fotografia: Rui Oliveira/GI
O Entrudo Chocalheiro de Podence está de volta às ruas daquela aldeia, no concelho de Macedo de Cavaleiros, próximo dos moldes originais. O Entrudo de Lazarim, em Lamego, não tem cartaz oficial, mas tudo indica que haverá alguns caretos à solta. Em Mira, os caretos da Lagoa preparam as máscaras e protagonizam um novo livro. Já o Carnaval Tradicional de Vale de Ílhavo foi adiado para 24 e 25 de abril, embora os cardadores saiam à rua nas datas habituais: 27 de fevereiro e 1 de março.

Entrudo Chocalheiro, Podence (Macedo de Cavaleiros) | 26 de fevereiro a 1 de março

São homens envergando máscaras de narizes pontiagudos, em couro, madeira ou latão, pintadas de vermelho, preto, amarelo ou verde, e ainda fatos de colchas franjados de lã vermelha, verde e amarela, com enfiadas de chocalhos à cintura e bandoleiras com campainhas. Os caretos de Podence, classificados pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade, voltam, neste ano, a “chocalhar” as mulheres” – bater com os chocalhos nas nádegas femininas é um ritual de fertilidade que assinala a transição para a primavera.

O Entrudo Chocalheiro já tem programa, gratuito e com os rituais do costume: do pregão casamenteiro ao desfile de marafonas, as únicas mulheres que os caretos não podem tocar. É também muito marcado por atividades ao ar livre, como caminhadas, passeios de barco e de BTT. Ainda assim, a pandemia obrigou a eliminar os concertos, explica António Carneiro, presidente da Associação Grupo de Caretos de Podence. Segundo a mesma fonte, há muita gente a manifestar interesse em marcar presença n’ “o Carnaval mais genuíno de Portugal”: “Isto é um escape grande. Pedimos só distanciamento e bom senso”, conclui.

Caretos de Podence.
(Fotografia: Rui Manuel Ferreira / Global Imagens)


Entrudo de Lazarim (Lamego) | 27 de fevereiro e 1 de março

Neste ano, o Entrudo de Lazarim, no concelho de Lamego, não tem programação oficial, devido às incertezas em torno da pandemia, mas um grupo de pessoas decidiu assinalar a data com algumas manifestações espontâneas. Tudo indica que haverá um pequeno desfile de caretos no domingo, 27 de fevereiro, e na terça, 1 de março, também é de esperar que passeiem as suas máscaras e fardas novas pela vila, informou Paulo Loureiro, presidente da Junta de Freguesia de Lazarim. Para finalizar, deverá realizar-se, ainda, a queima da comadre e do compadre.

Recorde-se que, ali, qualquer pessoa pode vestir-se de careto, incluindo mulheres e forasteiros, desde que as máscaras sejam feitas por artesãos locais. São esculpidas em madeira de amieiro, muito expressivas, sem pinturas, e conjugadas com fardas de ráfia, pano, serapilheira ou outros materiais que estejam à mão.

Máscaras artesanais de Lazarim.
(Fotografia: Rui Manuel Ferreira / Global Imagens)


Caretos da Lagoa (Mira) | 20 e 27 de fevereiro e 1 de março

Neste ano, os caretos da Lagoa, em Mira, voltam a percorrer as aldeias do concelho, a pé, no domingo magro, no domingo gordo e na terça-feira de Carnaval. A postos têm já as suas máscaras coloridas (as campinas, feitas de cartão, arame, fitas de papel colorido e chifres de animais), que coordenam com saias vermelhas, camisas brancas e chocalhos. São também protagonistas de um livro alusivo àqueles rituais, apresentado no sábado, 26 de fevereiro, às 15h, na sede do Lagonense Futebol Clube, informa João Luís Pinho, que tem ligação aos caretos e vai moderar a conversa.

As entradas são limitadas, devendo os bilhetes ser levantados antes, gratuitamente, no espaço em que vai decorrer a apresentação da obra, intitulada “Rituais com máscara”. A iniciativa insere-se no projeto “Foliar entre Montes e Mar”, que junta três municípios com tradição carnavalesca: Mira, Góis e Mealhada.

Caretos percorrem as aldeias do concelho a pé.
(Fotografia: DR)


Carnaval Tradicional de Vale de Ílhavo (Ílhavo) | 24 e 25 de abril

Há mudanças nesta edição do Carnaval Tradicional de Vale de Ílhavo, uma localidade predominantemente rural, no concelho de Ílhavo. O contexto pandémico levou ao adiamento daquela festa popular para os dias 24 e 25 de abril, segundo fonte da Associação Cultural e Recreativa “Os Baldas”, que a organiza, com apoio da Câmara. Além disso, neste ano, o evento cinge-se aos dois corsos, um em cada dia, das 15h às 18h, deixando de lado a chegada dos reis e os bailes. Nos desfiles, participam dez carros alegóricos, sete grupos de foliões e pelo menos dois grupos de bombos.

Quem sai à rua como habitualmente, nos dias 27 de fevereiro e 1 de março, são os cardadores de Vale de Ílhavo, homens mascarados que saltam, urram e “cardam” quem apanham por aí – ou seja, passeiam por corpos alheios as suas cardas, objetos que eram usados para tratar lã ou linho, na fiação e tecelagem. Se, em tempos, a “cardação” era reservada às raparigas, agora os alvos são indiferenciados. Os próprios cardadores criam as suas máscaras (com cotim, pele de carneiro, cortiça ou asas de galinha, por exemplo), que combinam com vestes exuberantes, chocalhos à cintura e um perfume de nome Tabu.

Os cardadores com as suas cardas.
(Fotografia: Maria João Gala / Global Imagens)

Carnaval de Vale de Ílhavo. (Fotografia: Maria João Gala / Global Imagens)

 



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