Publicidade Continue a leitura a seguir

Banhos de bosque (e histórias de amor) na Quinta das Lágrimas

A imponente figueira-da-austrália é um dos atrativos dos jardins, onde termina a visita. (Fotografia: Maria João Gala/Global Imagens)

Publicidade Continue a leitura a seguir

A Quinta das Lágrimas, com uma história de séculos, indissociável da paixão de D. Pedro e Inês de Castro, é amplamente conhecida – do palácio convertido em hotel de cinco estrelas aos jardins em redor. E quanto à mata? Esse espaço verde menos explorado, que foi intervencionado durante o confinamento, em parte, para poder receber visitantes, é agora palco dos chamados banhos de bosque. Trata-se de uma visita guiada inspirada na terapia da floresta surgida, nos anos 1980, no Japão, onde as mortes por excesso de trabalho são frequentes.

Shinrin-yoku (banhos de floresta) é o nome daquela prática, que os japoneses encaram como medida de saúde pública e prevenção do stress: tem efeitos comprovados e já suscitou a criação de trilhos oficiais. Ora, “reequilibrar a mente e o corpo” através do contacto com a natureza é a proposta de Cláudia do Vale, da Fundação Inês de Castro, ao orientar aquele passeio pela mata da Quinta das Lágrimas, morada de árvores centenárias, pássaros, borboletas, musgos e flores – como as chagas que o chef Vítor Dias usa no restaurante de fine dining Arcadas.

A experiência dura cerca de uma hora e deve ser feita em silêncio, pondo em campo os cinco sentidos e tomando consciência da respiração, apesar de haver alguns momentos de pausa, com partilha de informações e curiosidades. Percorrida a mata, os visitantes desembocam nos jardins, junto a duas fontes emblemáticas: a Fonte dos Amores, assim chamada devido à história de Pedro e Inês; e a Fonte das Lágrimas, que remete para o assassínio dela, imortalizado na obra de Camões.

Os jardins da Quinta das Lágrimas, cuja história remonta ao século XIV, estão ligados àquela paixão mítica e a outras, contemporâneas (eis o simbolismo das fitas vermelhas que pendem de plantas e árvores); mas também à rainha Santa Isabel. Foi ela quem mandou construir um canal para levar a água de duas nascentes até ao Mosteiro de Santa Clara – a água é considerada, até hoje, uma das riquezas da propriedade.

Motivos de interesse são ainda as sequoias que assinalam a passagem do Duque de Wellington pela quinta, em 1813. Mas claro que as atenções se fixam primeiro na figueira-da-austrália de raízes exuberantes, com 200 anos de existência – um verdadeiro portento.

Percorrida a mata, chega-se aos jardins. (Fotografia: Maria João Gala/GI)

O anfiteatro Colina de Camões.
(Fotografia: Maria João Gala/GI)

As visitas costumam acontecer ao sábado, às 11h, de 15 em 15 dias, mas também podem ser marcadas fora dessas datas, para um mínimo de cinco pessoas. Em breve, a Quinta das Lágrimas vai lançar um cartão de fidelidade para quem quiser visitá-la de forma livre, com validade de três meses (15 euros) ou seis meses (30 euros).


TRÊS MOMENTOS DA VISITA:

#1 Abraços às árvores

A certa altura, os visitantes são convidados a abraçar árvores e a atentar, por exemplo, nas texturas dos troncos e nos desenhos nas cascas. Sem vergonhas.

(Fotografia: Maria João Gala/Global Imagens)

#2 Miradouro

Um dos pontos de paragem é o miradouro com vista para a Coimbra de postal, com a Torre da Universidade a encimar o casario.

#3 Loureiros

A segunda parte da mata, composta essencialmente por loureiros, é mais cerrada, mais íngreme e menos conhecida, conta Cláudia do Vale. Os trabalhos de limpeza e construção feitos durante o confinamento tornaram-na acessível aos visitantes.

(Fotografia: Maria João Gala/Global Imagens)

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.