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A Quinta das Manas, em Guimarães, faz o convite para interagir com os animais

Quinta das Manas (Fotografia de Miguel Pereira/GI)

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Uma vez, uma mãe disse-me que só traria a filha se eu prendesse os cães”, diz Luís Machado, fundador da Quinta das Manas. “Não prendi.” Um dos aspetos que distingue o serviço desta quinta pedagógica é a proximidade total com os animais. “Queremos que as pessoas, principalmente as crianças, interajam com eles. Claro que nem sempre isso é possível, como no caso das aves de rapina, por questões de bem-estar dos animais e pela segurança das pessoas.”

Os 50 mil metros quadrados da Quinta das Manas foram adquiridos para ser o domicílio do antigo industrial do calçado. “Um dia perguntaram-me porque não fazia uma quinta pedagógica e depois de visitar outras, em França e na Bélgica, avancei.” Foi há 15 anos e o projeto não parou de crescer. “No último ano antes da pandemia tivemos 12 mil entradas.”

Quinta das Manas (Fotografia de Miguel Pereira/GI)

Quinta das Manas (Fotografia de Miguel Pereira/GI)

 

Atualmente, a quinta tem mais de cem espécies, desde animais domésticos que podemos encontrar em qualquer casa de lavoura, até aos exóticos como o lama ou os cangurus. “Chegam-nos muitos animais de pessoas que se querem livrar deles, porque já não têm espaço ou por outras razões”, afirma Luís Machado, no momento em que acaba de desligar o telefone após rejeitar uma píton que lhe queriam entregar. “Queremos criar um reptilário, mas neste momento ainda não temos condições.”

Os alunos do Jardim de Infância de Infias, Vizela, são convidados a acariciar o porco-espinho. Estão acanhados, até que um mais afoito toma a dianteira. Depois, todos querem repetir o gesto: “É áspero”. Uma das monitoras trás um cabrito que ficou órfão e está a ser amamentado a biberão: “Quem quer dar de mamar ao nosso bebé?” Não faltam voluntários.

Durante a semana, a quinta é visitada sobretudo por grupos escolares, e os fins de semana são preenchidos com visitas familiares e eventos, como festas de aniversário. O programa tipo começa com um safari pelo espaço no reboque do trator do senhor Abel. A visita prossegue a pé e prolonga-se por todo o dia, passando pelos cercados de cada um dos animais. O almoço pode ser em estilo piquenique ou contratado com a organização, ao ar livre ou na adega, e os mais pequeninos podem até dormir uma sesta.

Quinta das Manas (Fotografia de Miguel Pereira/GI)

 

Além do convívio com os animais, a Quinta das Manas diponbiliza oficinas de tecelagem, produção de leite e manteiga, tosquia das ovelhas (maio a junho), ensina o processo de fazer pão (debulhar, moer, peneirar, amassar e enfornar). Também é possível participar na vindima e pisar as uvas na adega da quinta.

A preocupação com a responsabilidade social faz com que o espaço receba animais que ali são deixados, “mesmo quando não temos interesse comercial”, mas também se exprime de outras formas. Recentemente, toda as legendas sobre os animais foram passadas para ficheiros áudio, para poderem ser disponibilizadas a visitantes invisuais, e a horta é cultivada pelos utentes do Centro Social de Polvoreira.

ESTRELAS DA QUINTA

Os cães são guardas e atrações
Como numa quinta normal, as raposas estão sempre à espreita de uma oportunidade para comer as crias, quando as há. Luís Machado confia em dois rafeiros alentejanos para afastar os predadores. É vulgar vê-los a dormir a sesta junto com os burros. Com os visitantes são simpáticos e estão sempre prontos para receber umas festas. São usados pelos monitores para ajudar pessoas a ultrapassar a fobia de cães.

Quinta das Manas (Fotografia DR)

 

Um filhote de canguru escondido
No parque dos cangurus, por estes dias, há um novo elemento. A mãe canguru carrega na bolsa um filhote. A progenitora procura esconder a cria, mas não lhe é fácil até porque o pequeno tem a pelagem completamente branca. Com sorte, a mãe vem até à rede para ser alimentada e o bebé, curioso, põe a cabeça de fora, para delícia das crianças.

Quinta das Manas (Fotografia de Miguel Pereira/GI)

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