A floresta Laurissilva e outras joias naturais a descobrir na Madeira

No Fanal há árvores monumentais anteriores à descoberta da ilha. (Fotografia: Artur Machado/Global Imagens)
A floresta Laurissilva, tão bem preservada na Madeira, está classificada como Património Mundial Natural pela UNESCO. É fácil perceber porquê, quando se sobe ao Fanal, em Porto Moniz, para contemplar os bosques centenários.

Primeiro, as apresentações: a floresta Laurissilva é um tipo de floresta húmida subtropical que remonta aos períodos Miocénico e Pliocénico da Época Terciária, há 20 milhões de anos, sendo constituída sobretudo por árvores da família das lauráceas, e endémica da região da Macaronésia. Nas zonas altas do norte da ilha da Madeira fica a maior e mais bem preservada mancha desta floresta nativa, classificada, em 1999, como Património Mundial Natural pela UNESCO. E um dos pontos mais interessantes para admirá-la é o Fanal, que se estende maioritariamente pelo concelho de Porto Moniz.

Até chegar àquele lugar encantado, entre a Ribeira da Janela e o planalto do Paúl da Serra, pára-se muitas vezes para admirar as vistas – a cada curva surge um miradouro, como assinala a guia intérprete oficial Graça Lopes. “É uma ilha de contrastes”, resume, aludindo às paisagens e ao clima. Tudo muda depressa – daí dizer-se que na Madeira cabem as quatro estações num dia, e aconselhar-se roupa por camadas. Isso mesmo se confirma no Fanal, onde, de um momento para o outro, o nevoeiro pode dar lugar ao sol, reforçando a atmosfera de conto-de-fadas. Perde-se a fala diante de árvores monumentais, com troncos que só várias pessoas conseguem abraçar, e a banda-sonora é a canção das aves – a mais pequena da ilha, o bis-bis, integra esse rico ecossistema.

Vale a pena ir com tempo para desfrutar do cenário, que inclui bosques centenários de tis, uma lagoa de inverno nascida de uma antiga cratera e um parque de merendas. Após a refeição, nada como estender-se aos pés de uma árvore imponente, que pode muito bem ser anterior à descoberta da ilha, a ler um livro ou só a contemplar. Afinal, a área do Fanal está classificada como Reserva de Repouso e Silêncio pelo Parque Natural da Madeira.

As árvores monumentais da floresta Laurissilva.
(Fotografia: Artur Machado/GI)

Guia todo-o-terreno

A guia intérprete oficial Graça Lopes é a companhia ideal para quem queira conhecer a ilha a fundo. Tem 33 anos de experiência, sempre ali. Tel.: 965070312


Outras jóias naturais a descobrir

A Vereda dos Balcões, no concelho de Santana, é um percurso de fácil acesso, que se estende por um quilómetro e meio de verde e desemboca num miradouro com vista panorâmica para vales de floresta Laurissilva.

A Vereda dos Balcões é um percurso acessível a toda a família.
(Fotografia: Artur Machado/GI)

O início é na povoação de Ribeiro Frio, no concelho de Santana, onde se pode beber poncha e cortado (café de saco misturado com vinho Madeira) como incentivo para o caminho. Não que seja um percurso difícil, pelo contrário: a Vereda dos Balcões, com apenas um quilómetro e meio de extensão, sem grandes oscilações de altitude, pode ser feita por toda a família. Pelo meio, surgem líquenes conhecidos como “barba de velho”, a atestar a qualidade do ar, e um snack-bar com uma pequena esplanada, para restabelecer energias.

O pequeno trilho, que acompanha a Levada da Serra do Faial, culmina no miradouro dos Balcões, com vista para os vales característicos da floresta Laurissilva e a Central Hidroelétrica da Fajã da Nogueira. Em dias mais limpos, o olhar alcança a Cordilheira Central da ilha e a Penha d́ Águia. Outra proposta é observar as aves. A propósito: uma forma de respeitar o seu habitat é seguir os percursos marcados, evitando, assim, pisar ninhos. Isto é válido para os demais trilhos (mais informações aqui).


Três percursos pedestres

#1 – Vereda da Ribeira da Janela

Em hora e meia percorre-se este trilho com 2,7 quilómetros, de dificuldade média. Arranca no Curral Falso (Fanal) e continua encosta abaixo, até à Ribeira da Janela, cuja ribeira tem a particularidade de ser o curso de água mais extenso da ilha.

#2 – Vereda do Chão dos Louros

É um caminho circular, de fácil acesso, na envolvente do parque florestal do Chão dos Louros. Tem menos de dois quilómetros, percorridos em 45 minutos, e permite mergulhar na floresta Laurissilva.

#3 – Levada do Caldeirão Verde

O Parque Florestal das Queimadas marca o início e o fim deste percurso de dificuldade média, que passa por túneis escavados na rocha (atenção ao piso escorregadio). Tem 6,5 quilómetros, feitos em cinco horas e meia.


Transporte de água

As levadas são canais de pedra criados, em tempos, para transportar água para terrenos agrícolas, essencialmente, da costa norte para a costa sul.

Parte da Levada dos Balcões.
(Fotografia: Artur Machado/GI)

 



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