Uma pequena floresta de madeira abre passagem para a Capela Imaculada, no interior do Seminário Menor de Braga. Filtra o acesso à assembleia, que surge do outro lado como uma espécie de clareira. E serve de suporte à Capela Cheia de Graça, que se ergue na canópia dessa estrutura arbórea. No seu conjunto, o projeto das capelas, da autoria do gabinete Cerejeira Fontes Arquitetos, venceu o prémio de Edifício do Ano, na categoria de arquitetura religiosa do ArchDaily 2019. De resto, os irmãos António Jorge e André Fontes já em 2011 tinham conquistado este prémio com a Capela Árvore da Vida, do Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo, também em Braga.
A obra, que coincidiu com a celebração dos 90 anos do seminário, teve como objetivo a reabilitação da Capela Imaculada Conceição, construída na década de 1940, e que já apresentava sinais de degradação, e a transformação do coro alto num espaço reservado aos habitantes do seminário (a Capela Cheia de Graça).
(Fotografia de Paulo Jorge Magalhães/GI)
Para lá da floresta à entrada da capela, onde se destaca ainda um pilar de granito, com uma orelha esculpida e uma cadeira individual ao lado – “É um convite à escuta e à resposta pessoal”, esclarece o padre Mário Martins, diretor do seminário -, sobressai na atmosfera uma grande abóbada em betão, que é suportada por uma estrutura em aço quase impercetível, dando a sensação de estar suspensa. Em conjunto com os restantes elementos, esta cobertura cria um ambiente que remete para a introspeção. A intervenção manteve ainda assim a estrutura original, aproveitando o pé direito total do espaço e as paredes exteriores em pedra, que “se manifestam de forma escultórica em torno das capelas”, descreve o gabinete de arquitetura.
“Conseguiram manter os aspetos essenciais, que é a escala e a luz, mas numa linguagem mais contemporânea”, resume o padre Mário Martins. Os arcos das paredes laterais, que estavam tapados, foram abertos, para deixar entrar mais luz natural. E sobre o eixo da nave, no extremo oposto à entrada, brilha o Corpo de Luz, um painel em mármore branco de Estremoz, suspenso por uma estrutura em aço, trespassado por abundante luz natural que preenche o espaço, iluminado ainda por dezenas de lâmpadas penduradas do teto.
(Fotografia de Paulo Jorge Magalhães/GI)
O projeto, concluído no final de 2015, teve também a colaboração da pintora sueca Lisa Sigfridsson e do escultor norueguês Asbjörn Andersen, autor da imagem da Senhora da Humildade, sentada na primeira fila da assembleia, com uma coroa nas mãos. ”Um desafio de humildade à sociedade atual”, comenta Mário Martins.
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