Publicidade Continue a leitura a seguir

8000Kicks, as sapatilhas de canábis criadas por avó e neto

Bernardo Carreira e a avó, Otília Santarém, com um dos modelos. Há dois: em bege e em preto. Fotografia: 8000Kicks/DR

Publicidade Continue a leitura a seguir

O conforto e a versatilidade das sapatilhas 8000 Kicks são atestados por Otília, que usa um par para andar na horta e outro para ir à missa, se bem que qualquer dos dois modelos – há em bege e em preto – serve essas e outras ocasiões. “Fui das primeiras pessoas a querer experimentar os sapatos, e praticamente nunca mais utilizei outra coisa. Saem da máquina [de lavar] impecáveis. Andava aflita com dores nas articulações e nos joelhos, e agora sinto-me muito confortável”, conta ela, que tem mais de 50 anos de experiência em confeção têxtil – foi por isso que o neto a procurou quando quis dar forma à ideia, nascida num convívio entre amigos.

O objetivo era criar um calçado tão versátil que fizesse a vez de muitos e fosse amigo do ambiente, explica Bernardo. As sapatilhas, feitas com fibra de cânhamo, que exige cinco vezes menos água que o algodão para crescer, têm solas feitas com algas “recolhidas de lagos e oceanos onde a sua presença pode destruir ecossistemas marinhos” e “as primeiras palmilhas de cânhamo do Mundo”, anti-microbiananas e anti-bacteriananas, assegura o CEO da start-up. Estão disponíveis na loja online da 8000Kicks, nos tamanhos 36,5 ao 48,5, por cerca de 110 euros. Também há máscaras do mesmo material – custam 12 euros. O nome 8000Kicks está ligado à história da canábis, prossegue: “foi em 8000 antes de Cristo que surgiu”.

Fotografia: 8000Kicks/DR

“É um sapato legal. Quando se fala em canábis, pensa-se logo na droga. A nossa [fibra de canábis, também chamada cânhamo] é industrial, era usada para fazer velas e cordas, as fibras são extraídas do caule [da planta], o tecido é extremamente resistente”, clarifica Bernardo. Ele, que estudou Gestão e morou em vários países, dos Estados Unidos à China, passando por França e pelo Reino Unido, até regressar, em 2018, a Portugal – mais precisamente, a Minde, vila ribatejana -, tratou logo de desmistificar isso ao apresentar o plano à avó. “Quando me veio falar de uma coisa proibida, disse-lhe: filho, nem penses. Mas ele lá me explicou, e eu: vamos em frente, só quero que te portes bem, estou aqui para o for preciso”, recorda ela.

Fotografia: 8000Kicks/DR

Em maio de 2019, através de uma plataforma de crowdfunding americana (o grosso das encomendas vai para os Estados Unidos), avó e neto conseguiram angariar cerca de 200 mil euros para avançar com o projeto. Quando encomendaram o serviço a uma fábrica, Otília fez logo valer a sua experiência na área: o calçado não estava todo em condições, era preciso mais brio. E, com esse puxão de orelhas, a produção chegou a bom porto.