Trazer a beleza dos jardins da cidade para dentro de uma casa burguesa do século XIX foi o desafio a que se propôs Dina Machado, no seu recente projeto de alojamento, com morada na Rua do Almada, a dois passos da Avenida dos Aliados. O Jardins do Porto Boutique Guest House é um convite a desacelerar, reforçado pelos tons terrestres da decoração interior, e pelo surpreendente logradouro – o elemento que inspirou todo o conceito desta guest house a funcionar há cerca de um mês.
- O edifício foi reabilitado mas manteve-se a traça original. (Fotografia de André Rolo/Global Imagens)
- O tranquilo logradouro nas traseiras do alojamento. (Fotografia de André Rolo/Global Imagens)
Dina, que trabalhou durante 15 anos na Suíça, como gestora global de operações, revela que tinha esta ideia desde pequena, mas só em 2015 começou a pensar em materializá-la, tendo feito um MBA para se “ambientar com a indústria [hoteleira]”. Após a formação, seguiu-se a busca no Porto por uma casa oitocentista, que acabou por encontrar no número 613. Mas o prédio, bastante degradado, exigiu complexas obras de reabilitação, dado que a ideia sempre foi “preservar elementos da memória da casa”. São esses elementos, conjugados com o conforto urbano, que tornam o alojamento encantador. Logo à entrada, somos recebidos por antigos mosaicos hidráulicos, o corrimão das escadas que serpenteia por dois pisos é o original, assim como os lambrins, as molduras arqueadas das portas, e a belíssima claraboia. Trata-se de “um espaço de luxo, mas de um luxo sem presunções”, afirma Dina, explicando que esse luxo está presente, por exemplo, nos materiais usados, nos colchões personalizados feitos à mão e na roupa de cama em algodão de 600 fios.

Suite Palácio de Cristal.
(Fotografia de André Rolo/Global Imagens)

Suite Palácio de Cristal.
(Fotografia: André Rolo/Global Imagens)
Também em seis, de um total de nove quartos – com nomes emprestados de jardins do Porto -, se fez questão de preservar alguns dos elementos de origem, como os pequenos postigos – agora ocupados pelo duche ou pela zona de minibar -, e as varandas em pedra viradas para o jardim ou para a rua.
No penúltimo piso, uma escada azul em caracol leva-nos até ao loft, do qual fazem parte três quartos assotados, que partilham uma zona comum com kitchenette e mesa de jantar, e podem ser reservados em conjunto. O República e o Marquês são quartos standard, com vista para o logradouro, e o São Lázaro é um deluxe, com uma generosa varanda cuja paisagem inclui a Sé, o Coliseu, a Capela dos Pestana e a silhueta das Serras do Porto. Seja qual for a tipologia escolhida, estão garantidas comodidades como minibar, televisão com Netflix, coluna de som sem fios, smartphone com Internet, chaleira, máquina de café e amenities da 8950, produzidos com plantas nativas portuguesas.

Jerónimo Pinto de Abreu, Chef do restaurante Jardineiro e Dina Machado, proprietária.
(Fotografia de André Rolo/Global Imagens)

É na sala do restaurante Jardineiro que são servidos os pequenos-almoços.
(Fotografia de André Rolo/Global Imagens)

Wellington.
(Fotografia de André Rolo/Global Imagens)

O bar, tal como o restaurante, está aberto ao público. (Fotografia de André Rolo/Global Imagens)
É também de plantas, bem como de legumes e vegetais, que se faz a carta do Jardineiro – o restaurante-bar aberto ao público, que ocupa o jardim de inverno e uma pequena zona virada para a rua, respetivamente. Os pratos de base vegetal são uma viagem pelo mundo, guiada pelo chef Jerónimo Pinto Abreu, que ali privilegia a matéria-prima sazonal e biológica que chega da Quinta da Lameira. Em querendo-se os pratos são harmonizados com vinhos portugueses, franceses, argentinos e neozelandeses, cuidadosamente selecionados por Dina, que carrega também um curso de escanção no currículo. Algumas referências são servidas a copo, no bar, na companhia de petiscos, num ambiente intimista e elegante, que está, de resto, presente em todo o alojamento.
