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Em Castro Marim há um hammam (spa) inspirado nos banhos públicos romanos

Este hammam esteve nomeado para Edifício do Ano pela revista de arquitetura ArchDaily. (Fotografia de Francisco Nogueira)

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Por fora, parece uma cúpula encaixada num dos vértices do edifício. Por dentro, é “contínuo e redondo sugerindo semelhanças com o útero”. “A sensualidade da experiência é amplificada pela forma do edifício. A luz interior [que entra por pequenos orifícios] oferece uma experiência espiritual, o som de gotejamentos regulares de água enriquece o ambiente e suaviza a atmosfera completando o relaxamento”, lê-se no texto descritivo do projeto assinado pelo arquiteto Pedro Ressano Garcia.

O hammam do ecoturismo sustentável Companhia das Culturas, em Castro Marim, foi desenhado em estreita colaboração com Eglantina Monteiro e Francisco Palma Dias, ela antropóloga e curadora de arte; ele poeta, agricultor e introdutor do ioga em Portugal no final dos anos 1970. Querendo recuperar a tradição dos banhos públicos iniciada pelo Império Romano e seguida pelos muçulmanos no Mediterrâneo (e depois proibida pela
Inquisição, no caso português), viajaram por Marrocos, Turquia e Espanha para experimentar os benefícios do relaxamento físico e psicológico do hammam.

“A partir desse interesse ligado à historiografia e à manutenção dos corpos, desenvolvemos o hammam de raíz, o único no Portugal contemporâneo”, explica Eglantina. Apesar de já existir há cinco anos no ecoturismo (a funcionar como sauna e salas de tratamentos), a nomeação para o prémio Edifício do Ano 2021 da plataforma online de arquitetura ArchDaily chamou a atenção de muitos. “O arquiteto não sabia. A revista é que nos escolheu segundo
um programa editorial de designers e arquitetos”, diz a responsável.

Segundo a descrição do arquiteto Ressano Garcia, os espaços interiores estão organizados pelas temperaturas (quente, morna e fria), e dentro da sala quente “o suor aumenta o cheiro do corpo e suaviza a pele, oferecendo uma profunda experiência física”, mas mais do que uma purificação de fora para dentro, é estimulada uma “limpeza de dentro para fora”, nota Eglantina. Os materiais utilizados foram escolhidos a rigor: o mármore rosa de Vila Viçosa,
os cochos de cortiça em vez das habituais taças de cobre na zona dos vapores, e o cobre nas torneiras, com a cor a ir buscar os “veios da terra”.

A experiência no hammam fica completa com um conjunto de massagens (localizadas ou de corpo inteiro) e tratamentos de rosto e corpo dadas por terapeutas, com produtos da IGNAE – SkincareI (açoriana) e da 8950 Cosmetica. Esta linha de amenities para a pele (sabão líquido, champô e leite de corpo, cujo nome é o código postal de Castro Marim) foi criada por Eglantina, com o perfumista Lourenço Lucena, a partir de matérias 100% naturais. São usados a alfarroba, a esteva, o funcho do mar e o alecrim, tudo ingredientes autóctones do ecossistema da Serra do Caldeirão, Barrocal e dunas algarvias. Para o grande consumo, a marca (com loja online e presença na Vida Portuguesa) espera lançar em breve uma linha de óleos de massagens e esfoliantes.

É possível passar um dia inteiro na Companhia das Culturas, usufruindo de um banho, sessão de ioga e refeição (almoço ou jantar), mesmo sem pernoita. Apesar da pandemia, o hotel de oito quartos (twin, duplos e suite) e quatro casas encontra-se em funcionamento e tem promoções para estadias de três a seis noites com condições especiais. O convite é sentir o ritmo apaziguador da Reserva Natural de Castro Marim, onde não há televisão, nem música ambiente além dos sons da natureza.

(Fotografia de Sanda Pagaimo)

O projeto nasceu pelas mãos do casal, há 13 anos, a partir da recuperação das ruínas de uma antiga casa agrícola, numa herdade de 40 hectares. Tem um restaurante abastecido por uma horta biológica, pomar e galinheiro, uma corkbox para sessões de ioga e promove passeios a pé e de barco silencioso na Ria Formosa, um dos lugares mais serenos do sotavento algarvio.

 

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