Há uns dias, enquanto punha a leitura em dia numa manhã de sábado preguiçosa, tropecei num estudo que dava conta dos planos dos portugueses para a estação mais quente do ano. Sem grandes surpresas, convenhamos, dizia então o 20.º Barómetro Anual de Férias de Verão da Europ Assistance que 46% dos portugueses aproveitará as férias grandes aquém-fronteiras, de forma mais segura – apesar dos números atuais -, no seu próprio país.
Os artigos que li sobre o assunto ainda me fizeram soltar algumas risadas, que não consegui evitar, usando expressões como “quase metade dos portugueses prefere [ênfase neste verbo] fazer férias em Portugal”, quando se trata de um assunto com margem de manobra tão curta e alternativas ainda arriscadas. Sejamos sinceros. Preferir por preferir, eu preferia estar a atravessar a idílica Costa Amalfitana, a observar cascatas e vulcões na Islândia ou a curtir concertos em Paris – todos planos que a pandemia veio adormecer no último ano e meio – mas tudo bem.
Mas outro detalhe, contudo, ficou-me na memória. Dizia o estudo – que inquiriu mais de 14 mil pessoas em vários países – que o orçamento médio dos portugueses para as férias do verão que agora arrancou mantém-se estável face a 2019, situando-se nos 1.339 euros. Curiosamente, e numa trajetória contrária, todos os restantes países europeus envolvidos neste barómetro (Espanha, França, Reino Unido, Itália, Alemanha, República Checa, Polónia, Bélgica, Suíça e Áustria) viram o orçamento médio dos seus cidadãos baixar 21% em relação há dois anos.
Ainda sobre este assunto, um outro estudo recente feito pelo The Fork e pelo Tripadvisor também conclui que os portugueses inquiridos conseguiram manter o seu budget de férias e indica que 31,7% planeia ir a restaurantes todos os dias durante as suas férias e 27,5% deseja fazê-lo mais de três vezes por semana. Todos sabemos a força que tem a nossa cultura de mesa, mas estes são números que me surpreenderam, apesar de os achar otimistas.
É verdade que, em muitos trabalhos para a Evasões, vários proprietários de restaurantes e casas de petiscos afirmem que o verão do ano passado foi especialmente forte em comensais fiéis nacionais, esperando que o mesmo se repita neste verão, não podemos negar o murro no estômago que a restauração tem sentido há vários meses consecutivos. E se gostamos assim tanto de passar horas à mesa, entre garfadas, brindes e conversa, estimá-la é mais do que um dever, é a nossa obrigação.