Para as crianças e jovens em idade escolar, o Natal é uma almofada de dias de férias, horas passadas em frente aos videojogos, à televisão e ao telemóvel, visitas de familiares e passeios com amigos, dias passados em família nos mercados com roda gigante e pista de gelo, fotografias tiradas ao colo do Pai Natal do centro comercial e tardes no meio dos corredores de brinquedos.
Para os jovens adultos e daí em adiante, a época do Natal começa a ser tudo menos a magia preconizada pela família, os anúncios, a escola, a literatura e o cinema. Torna-se uma época movida a ansiedade em relação ao que oferecer a quem, como conjugar as agendas familiares e como operar toda a logística das compras para a ceia de Natal, do bacalhau às azevias.
Todos os anos se debate o lado negro do Natal, que ao invés de se tornar uma alegre festividade, torna-se uma fonte de stress, ansiedade e nalguns casos depressão. Ao contrário do que os filmes românticos popularizados pela Netflix e a publicidade especialmente produzida para a época podem fazer crer, nem todos são felizes no Natal, e não há mal nenhum nisso.
E nem todos os que não são felizes no Natal – ou mesmo os que celebram a quadra sem alinhar na histeria das compras, dos refrões All I Want for Christmas is You e do ritual de fazer o pinheiro – têm uma personalidade equiparada à do Scrooge ou o Grinch. Estas míticas personagens têm as suas razões para não gostar da quadra, ainda que, como todos sabemos, acabem por ceder à magia.
O segredo está em conseguir um equilíbrio saudável entre o que a vertiginosa época das festas exige física e psicologicamente e os níveis de energia que o nosso corpo tem para despender. Caso contrário, é fácil cair numa espiral de correria cega e consumista, na ânsia de corresponder às expectativas que julgamos que os outros alimentam. Muitas vezes, basta oferecer uma lembrança.
O chavão é certo, mas nunca foi tão atual: “haja saúde”. Com saúde, em princípio tudo o resto se consegue, do trabalho à família, dos relacionamentos às conquistas pessoais. Com uma mente sã em corpo são torna-se tudo mais fácil, inclusive refletir sobre o ano que passou, ou não fosse um Natal uma época de finalização e, juntamente com o Ano Novo, de recomeço.
O Natal é tempo de parar e refletir sobre as perdas e as conquistas. De agradecer aos que partilham o nosso dia-a-dia e de lembrar os que partiram e se mantêm nas boas memórias e no coração. É tempo de escolher o altruísmo e a compaixão em detrimento do egoísmo e da arrogância. É tempo de praticar os valores dos homens bons, quer se seja ou não religioso. Feliz Natal!
