Das agulhas aos novelos: lojas em Lisboa e Porto para entrar no mundo do tricô

A loja Ovelha Negra, no Porto, tem tudo o que é preciso para entrar no mundo do tricô. (Fotografia de Artur Machado/GI)
Conheça algumas lojas no Porto e em Lisboa onde se vende tudo o que é preciso para tricotar, desde as agulhas aos novelos, e que guardam histórias que vale a pena conhecer.

Ovelha Negra | Porto
Um arco-íris de fibras naturais

A ex-bailarina Joana Nossa abriu a Ovelha Negra há 13 anos e lá reuniu fios naturais, acessórios, livros e revistas para tricô, além de oficinas, que acabam de regressar.

Joana Nossa aprendeu a tricotar aos oito anos. Até ao nascimento da primeira filha trabalhou como bailarina, mas a dificuldade em continuar em tournée fê-la mudar de vida, e abrir a Ovelha Negra. Imaginou um espaço onde os clientes pudessem “aceder aos materiais sem um balcão”, e juntou novelos de lã, mohair, seda, caxemira e linho. Oferecer formação era outra das suas vontades, que se concretizou nas oficinas, acabadas de regressar, após dois anos de interregno. Este domingo é dia de Iniciação ao Tricô, das 14h às 18h; no seguinte há Iniciação ao Crochet, e o último domingo de abril é dedicado ao Aumentos e Diminuições e Pontos Rendados, a oficina com mais procura. ALS

(Fotografia de Artur Machado/GI)


Fio da Meada | Porto
Das joias às agulhas

Na Fio da Meada, mesmo em frente ao Jardim de São Lázaro, há tudo para crochê, tricô e macramé, e ainda curso onde todos os níveis de aprendizagem são bem-vindos.

Maria Manuela Conde começou por ocupar o número 35 do Passeio de São Lázaro com uma ourivesaria, mas depois de alguns sustos, trocou as jóias pelas agulhas e novelos, com a abertura da Fio da Meada, em 2015. “Como já gostava de tricotar, decidi apostar numa loja de lãs e algodões. Além disso, na zona ainda não havia nada assim mais especializado”, conta.

Atualmente, o espaço reúne acessórios como agulhas, réguas e separadores, e fios em dezenas de cores da espanhola Kátia e da portuguesa Rosários 4, de fibras naturais (de algodão, de lãs diversas, de caxemira e de bambu) ou sintéticas, bem como fios para macramé.

A aprendizagem é outra vertente do espaço, que recebe cursos mensais de tricô, crochê e amigurimi, de manhã ou à noite, uma vez por semana. As aulas, procuradas por gente “dos 20 aos 80 anos”, recebem tanto quem quer estrear-se nas artes manuais como quem já domina as agulhas mas tem vontade de aperfeiçoar ou aprender novas técnicas. Há até quem procure o curso por sugestão do psicólogo, já que “o tricô faz trabalhar os dois lados do cérebro, e quando as pessoas estão aqui não pensam em mais nada”. Fora das aulas, os participantes podem continuar a ter apoio via WhatsApp, para que nenhuma peça fique por terminar. ALS


Mom’s Knitting | Lisboa
O tricô como forma de terapia

Detestava tricô em criança, mas as malhas e agulhas trocaram-lhe as voltas. Na Mom’s Knitting, aberta há dois anos, vende-se vestuário e material de tricô. E há aulas.

Quando Ana Paula Velez aprendeu a arte do tricô ainda estava na escola primária. Mas não foi amor à primeira vista. Pelo contrário. “Detestava. Diziam-me: ‘Tens que acabar o tricô senão não vais brincar’. Eu queria era correr”, recorda a fundadora da Mom’s Knitting, a loja lisboeta que vende peças de vestuário feitas por si, materiais de tricotagem – agulhas, botões, dedais, novelos de lã em centenas de cores, e por aí fora -, além de se organizarem aqui workshops e aulas personalizadas desta arte. O despedimento da área onde estava – a cosmética – e a procura por algo “mais humanizado, recuperando saberes”, levou-a a abrir o seu espaço na Quinta das Conchas há dois anos.

Nos workshops e aulas, que se reservam pelas redes sociais da loja, Ana Paula ensina para todos os níveis de experiência ou falta desta, dos iniciantes aos aficionados. E afirma que tem interessados de todas as idades, “dos pré-adolescentes a senhoras de 80 anos”, mostrando a transversalidade deste saber-fazer manual. Que tem benefícios óbvios e terapêuticos, acrescenta a responsável da Mom’s Knitting. “Há o tricô que se faz sempre com o mesmo ponto, mecânico, que fazemos a ver televisão, que relaxa. Depois há o tricô mais estimulante, com carreiras e pontos diferentes, que ajuda na autoestima”, conta. NC

(Fotografia de Artur Machado/GI)


Retrosaria Rosa Pomar | Lisboa
Salvar ovelhas da extinção

A Retrosaria Rosa Pomar fixou-se nos Anjos com nova loja, workshops e os seus fios de lã de ovelhas portuguesas, algumas em vias de extinção.

Depois de dez anos na Bica, Rosa Pomar levou a sua luminosa retrosaria para o bairro dos Anjos. É aqui que estão os fios de lã de ovelhas portuguesas, muitas em vias de extinção, de várias cores e texturas. “Trabalho com lã de ovelha campaniça, merino branco e preto, saloia, bordaleira e churra badana, uma das mais ameaçadas”, explica a dona da Retrosaria Rosa Pomar, onde também há tecidos de linho e flanela portugueses, livros práticos e revistas especializadas em tricô, além de sapatos e botas de cabedal. “O segredo é conhecer as características das lãs, para tirar delas o melhor potencial”, acrescenta.

Esta alfacinha de 46 anos formou-se em História Medieval e fundou o blogue A Ervilha Cor de Rosa, numa altura em que a blogosfera não tinha a expressão de hoje, e onde publicava artigos sobre têxteis artesanais e vendia bonecas de pano feitas por si.

Numa lateral abre-se a sala destinada aos workshops, com agenda divulgada habitualmente nas redes sociais e site oficial. Quem quiser afinar a arte das agulhas ou iniciar-se, pode comprar um emblema ou um kit completo para tricotar um gorro em casa, cujas receitas revertem para a associação de produtores de ovelha churra mondegueira. NC

(fotografia de Reinaldo Rodrigues/GI)



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