Estão casados há 25 anos e, neste caso, a receita para a longevidade foi bem simples. A primeira vez que o chef Robinson Carneiro cozinhou um bobó de camarão para Viviane Calderone, o futuro a dois estava garantido. “Assim que provei, pensei: ‘A beleza pode passar, mas a fome fica’. Não o podia deixar fugir”, ri-se a coproprietária do Tempero Brasileiro, o restaurante que nasceu há meia década em São Domingos de Benfica, e que acaba de ganhar uma segunda e maior morada, no Parque das Nações.
Uma consequência natural da fidelização do público. “Chegámos a ter filas de espera à porta”, recorda Viviane. O bem-receber foi outra das chaves para o sucesso. De tal forma que se oferece a todos os comensais um aperitivo (cachaça) e azeitonas à chegada ao restaurante, e um licor de mel e cachaça no final. “Os brasileiros são um povo feliz. Fazemos a comida como se fosse para a nossa família”, adianta a mesma. E é por isso que se leem mensagens pelas paredes como “As melhores lembranças são feitas de boa comida, bons amigos e bons momentos”.

Os dadinhos de tapioca, recheados com três tipos de queijo, e geleia de pimenta caseira. (Fotografias de Reinaldo Rodrigues/GI)

A clássica caipirinha, um dos óbvios best-sellers da casa.
Antes de deixarem o país-irmão, à procura de maior segurança, o casal já detinha uma pousada com restaurante na Ilha Grande, perto do Rio, aqui mais focada no peixe e marisco, pela ligação ao mar. Quando chegou a altura de trocarem as áreas de formação – arquitetura para ele e administração para ela – nem pensaram duas vezes. Para Robinson, com raízes minhotas, a cozinha sempre foi um porto de abrigo, paixão herdade pela mãe e avó portuguesa.
No interior ou na esplanada do Tempero Brasileiro Expo, onde se juntam até 60 pessoas, servem-se clássicos como o bobó de camarão com arroz e farofa baiana – o mesmo que selou o seu casamento – (16€), os dadinhos de tapioca recheados com três queijos e acompanhados com geleia de pimenta (7,90€), o caldinho de feijão (5€), a linguiça acebolada com mandioca frita (14,50€) e os corações de galinha (7,90€). Nas carnes, aposta-se na picanha, na maminha e nos churrascos mistos. “O fundamental é a qualidade da carne, vinda da América do Sul, e um bom corte”, explica o chef. Depois é só deixar a grelha fazer o resto.

O caldinho de feijão acompanha com bacon, coentros, torrada, picante e um copo de cachaça.

O casal responsável pelo espaço: Viviane Calderone e o chef Robinson Carneiro.
As moquecas servidas em panela de barro são outro ex-líbris da casa – aqui de camarão e de peixe, além de opções vegetarianas do mesmo prato -, mas também a feijoada do mar (37,50€, para duas pessoas), rica e servida em doses generosas, com feijão branco, camarão, lulas e polvo. À sexta e sábado, é a tradicional feijoada que brilha. Nas despedidas, escolhe-se entre brigadeiro de colher, beijinho de coco, doce de abóbora com coco ou doce de banana (todas a 3,80€), sempre ao som dos ritmos brasileiros que vão ecoando pelo espaço. Em setembro, a alegria surge em dose extra durante os almoços de sábado, com música ao vivo dentro do restaurante, sempre ligados à bossa nova e à MPB.
Em Portugal há cinco anos, Viviane e Robinson dizem-se “apaixonados” pelo país que os acolheu nesta nova vida, o qual já tiveram oportunidade de conhecer. “Só nos falta ir à Serra da Estrela. Portugal é maravilhoso”. Os elogios multiplicam-se – da gastronomia portuguesa às paisagens e à hospitalidade -, mas há algo ao qual ainda não se habituaram. “O mar é gelado, mas é a única reclamação”, ri-se Viviane.

Duas sobremesas da casa, o beijinho de coco e o brigadeiro à colher. No final, oferece-se sempre um licor de cachaça e mel.

Depois de Benfica, o restaurante ganha uma segunda morada no Parque das Nações.
