As acelgas da horta biológica da Dona Olivia, em Pedroso, Gaia, já foram protagonistas no prato junto de um belo peixe grelhado. São dos muitos ingredientes que ali chegam diretamente do produtor. «A gente vai lá e colhe», revelam Gustavo e Maria Lacerda, a dupla por detrás do Toasted, projeto que têm vindo a maturar há um par de anos, já antes de terem decidido assentar no Porto – são naturais do Rio de Janeiro -, cidade pela qual se deixaram apaixonar.
Reverenciar o produto desde a sua origem é o mote do restaurante. «Queríamos ter comida de verdade. Eu sei quem colheu a batata, a acelga, a alface… Queremos honrar o trabalho de quem está no campo, porque o mérito começa na terra» lança Gustavo.
- Toasted (Fotografia: Artur Machado/GI)
- Gustavo e Maria Lacerda (Fotografia: Artur Machado/GI)
- Toasted (Fotografia: Artur Machado/GI)
Daí que a carta esteja em constante mutação, à mercê dos produtos da época e da criatividade que brota na cozinha, inspirada na comida do mundo. De raízes baianas nasceu há tempos uma deliciosa moqueca de abóbora com terrine de arroz, cremosa, uma das sugestões à base de vegetais de que há sempre opção na ementa. Ganham vida pelas mãos da chef Mirna Gomes – concorrente da 2ª edição do MasterChef Brasil -, e da sua equipa. «A chef é muito alegre e isso reflete-se na comida», observa Gustavo. É essa alegria o que se vê na apresentação airosa e colorida, nos sabores e texturas que casam na boca com evidente satisfação.
- Chef Mirna Gomes (Fotografia: Artur Machado/GI)
- Ceviche de ouriço (Fotografia: Artur Machado/GI)
- Toasted (Fotografia: Artur Machado/GI)
Todos os pratos são pensados para partilhar. Seja um fresco ceviche de ouriço com abóbora manteiga, black baos com anéis de lula crocantes e pickles de cebola roxa, um reconfortante ramen de frutos do mar, de caldo rico e saboroso – o mar na boca – ou ainda bombons invulgares, feitos de miúdos de galinha e com uma capa de vinho do Porto.
É prudente guardar espaço para a gulosa «boabanada», uma rabanada em pão bao com recheio de doce de leite, gel de lima e casca de limão confitado. Um pecado.
- Bombons de fígado com capa de vinho do Porto (Fotografia: Artur Machado/GI)
- Moqueca de abóbora (Fotografia: Artur Machado/GI)
- Black Baos (Fotografia: Artur Machado/GI)
- Peixe grelhado com camarões e acelgas (Fotografia: Artur Machado/GI)
Mas ainda antes de conhecer a carta, ao passar na rua é fácil ser-se atraído pela decoração irreverente, com cadeiras penduradas nas paredes, mesas suspensas e até uma antiga escada de vindimas em madeira, pendente do teto, a denunciar o protagonismo do vinho.
«O vinho é feito na vinha», defende Gustavo. Por isso, optou por criar uma carta composta em exclusivo por vinhos de baixa intervenção, com personalidades bem distintas dos convencionais. «Tenho de conhecer sempre os produtores antes de introduzir um novo vinho», assegura. O que não impede que a lista seja tão irrequieta como a de comida: «trocando os vinhos obrigo as pessoas a provar coisas diferentes», justifica. Há lugar para referências francesas, austríacas, espanholas, italianas e alguns exemplares nacionais, como os do Vale da Capucha e da Quinta do Javali. «Foi uma surpresa muito boa descobrir os vinhos naturais portugueses», admite Gustavo. Na comida tanto como nos vinhos o casal tem uma intenção bem vincada: «o nosso trabalho é não estragar o que a natureza dá».
- «Boabanada»(Fotografia: Artur Machado/GI)
- Toasted (Fotografia: Artur Machado/GI)
Brunch e menus temáticos
Aos sábados é dia de brunch à carta, que muda todas as semanas. Regularmente também são organizados eventos a quatro mãos, jantares temáticos e noites dedicadas ao vinho.












