Dois anos depois de ter aberto portas a dois passos da Avenida da Liberdade, o Sr. Lisboa apresenta uma nova carta, renovada na sua grande maioria, e mais eclética do que antes. A inspiração no receituário tradicional português continua a ser um dos pilares desta intimista casa de petiscos alfacinha, situada na Rua de São José, mas as novas propostas estão agora mais sofisticadas, na abordagem e no empratamento, e bebem mais influências além-fronteiras, em vários pontos do mundo.
Trata-se de uma evolução natural tanto para Francisco Breyner, o proprietário desta taberna moderna, e para Pedro Sousa de Sousa, ambos ainda jovens e sem medo de arriscar. O resultado prova-se, por exemplo, com o novo camarão crocante com massa kadaif e maionese de wasabi e lima (12€), que mistura frescura e picante; ou com o novo tártaro de novilho com puré de pistáchio e mezcal (14€).
O peixe da costa com leite de tigre, cebola castanha e coentros (12€) agradará quem é admirador de ceviches, e o arroz cremoso com tinta de choco, lula grelhada e glaceada com azeite de tomilho (15€) é ideal para fãs de risoto. Entre as novidades do Sr. Lisboa, contam-se ainda o gaspacho alentejano (5€), o polvo com molho chimichurri (12€), e a mistura de cogumelos com topinambor, chalotas, salsa frita e azeite de trufa (7€).

O camarão crocante com massa kadaif e maionese de wasabi e lima.

O restaurante abriu há dois anos na Rua de São José, Lisboa.

O porco com cogumelos e um caldo servido à mesa é uma das novidades.
Antes de ir embora, importa provar outra das novidades de Pedro de Sousa, que já passou pelas cozinhas da Casa do Marquês, Champanharia do Largo e Great Tastings. Trata-se da sobremesa É Chocolate Senhor! É Chocolate: e aqui, o nome não engana, misturando um cremoso de cacau 70% do Equador, chocolate de avelã, chocolate trufado e gelado de malagueta e gengibre.
A fazer companhia a estes pratos estão reinterpretações de clássicos, como os croquetes de bacalhau à Brás, com maionese de azeitona verde; os ovos revoltados, a sua versão de uns revueltos, com batata, ovo a baixa temperatura, cogumelos, chouriço de porco preto, azeite de trufas e ervas; ou até o vulcão de bacalhau, um best-seller da casa, que nada mais é do que umas migas de chouriço, lombo de bacalhau e ovo, empratados de forma vulcânica. O lombo de novilho com Queijo da Serra também se mantém na atual carta, ou não fosse esta uma homenagem às raízes beirãs do chef.

A mistura de cogumelos com topinambor, chalotas, salsa frita e azeite de trufa.

O chef Pedro de Sousa.
Ao almoço, há possibilidade de pedir menus de 10 euros, e à noite escolhe-se à carta. Ainda que a carta não seja demasiado longa, na dúvida, aconselha-se que o número de petiscos pedidos seja superior em uma unidade, em relação ao número de pessoas sentadas à mesa. Enquanto se escolhe, o brinde pode ser feito com uma das mais de três dezenas de referências vínicas, todas de pequenos produtores nacionais, e onde se incluem doces e fortificados.
Neste sossegado restaurante, que alberga cerca de 35 comensais, a reinterpretação da tradição também está espelhada pela divertida decoração do espaço, onde panelas servem de lavatórios, frigideiras estão penduradas como candeeiros, e bicos de fogão decoram as bases envidraçadas das mesas.
Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.
