Restaurante Ilha da Madeira: duas décadas de casa cheia em Campo de Ourique

Lapas grelhadas (Fotografia de Maria Mattos)
Situados lado a lado, o restaurante e a tasca homónimos são geridos pela mesma família madeirense há 23 anos. A carta tem novidades e reúne clássicos como espetadas em pau de louro, carne de vinha d’alhos, lapas grelhadas, filetes de espada preto e bolo do caco de produção própria.

Já lá vai quase um quarto de século desde que um casal de madeirenses abriu em Campo de Ourique o restaurante que ainda hoje os ajuda – a eles e a quem aqui se senta a comer – a encurtar a distância entre a capital e a pérola do Atlântico. Maria Nunes é natural da costa norte, mais especificamente de São Vicente. Já Arlindo Sousa nasceu na costa sul, no Funchal.

Curiosamente, conheceram-se já em Lisboa, a cidade onde abriram o Restaurante Típico Ilha da Madeira e a Tasquinha Ilha da Madeira, dois irmãos a paredes meias que nasceram de forma orgânica no percurso deste casal – antes disto, Arlindo já tinha um café com refeições rápidas e Maria sempre se dedicou à cozinha, tendo passado por previamente restaurantes em Londres.

O ambiente familiar e descontraído é comum aos dois espaços vizinhos que partilham o nome, e que continuam a ter Maria como “o coração da cozinha”, como explica o filho de 27 anos, Sérgio Nunes de Sousa, hoje também proprietário e responsável pelo lado mais operacional, pelo serviço de sala e pelas redes sociais.

A Tasquinha Ilha da Madeira, irmã mais nova do restaurante vizinho e homónimo, foi renovada e aposta nos petiscos. (Fotografias: Maria Mattos/DR)

As espetadas madeirenses são as estrelas da casa.

O restaurante, que soma 23 anos, é mais amplo e senta cerca de 100 comensais, tendo uma carta mais extensa, onde não faltam clássicos madeirenses à mesa. Já a tasquinha, renovada há alguns anos, é mais intimista, com capacidade para 30 pessoas, e foca-se mais no receituário petisqueiro, quase sempre sem perder a Madeira de vista.

Ao longo de duas décadas, o público da casa está fidelizado e o mais habitual é ver as duas casas cheias, como aconteceu na visita da Evasões, a uma noite durante a semana útil. “Há clientes que nos visitam há anos e anos, que já consideramos família. E temos funcionários que estão cá desde o primeiro dia. Também são família”, revela Sérgio, que estudou Gestão Hoteleira antes de se juntar aos pais no Ilha da Madeira. “Há um grande cuidado com a qualidade do produto”, acrescenta o jovem empresário.

As cartas do restaurante e da tasquinha, que têm alguns pontos em comum, apresentam algumas novidades por estes dias. A produção própria é uma das preocupações na cozinha, que confeciona o seu próprio bolo do caco, que chega à mesa com manteiga de alho, ou o pão de batata-doce do couvert, entre outros exemplos.

A poncha caseira prova-se em três versões diferentes. Na foto, a de maracujá.

Lapas grelhadas (14,50 euros); picadinho à ilha, um género de pica-pau à moda da Madeira, com vaca (15,80 euros); pregos variados em bolo do caco (desde 7,50 euros); carne de vinha d’alhos, um clássico festivo na Madeira (15,80 euros); os filetes de peixe espada preto fritos, com banana frita ou molho de maracujá (16,80 euros); este mesmo peixe na grelha (16,80 euros); ovos rotos; cogumelos recheados com farinheira; bolinhas de alheira; e bife da vazia com banana frita e molho à base de Vinho Madeira (16,50 euros) são algumas das propostas dos espaços Ilha da Madeira.

Mas, claro, importa não esquecer as tradicionais espetadas servidas em pau de louro e acompanhadas de batata frita e milho frito (desde 19,50 euros), talvez as estrelas da casa. Para o remate final, destaque para a queijada da Madeira – feita de requeijão de ovelha -, acompanhada de gelado de baunilha (5,80 euros); e para o pudim de maracujá (4,80 euros). E por falar nisso, este fruto é um dos sabores da poncha canseira que aqui se serve: há de maracujá, a tradicional (laranja e limão) e a pescador (limão). “Somos capazes de servir 50 litros de poncha numa semana”, ri-se Sérgio, que não poupa elogios à cozinha. “A comida da mãe é sempre a melhor”, remata.

Os cogumelos recheados com farinheira são um dos petiscos.

As bolinhas de alheira.

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