Prato do dia: Guelra, uma ponte entre Portugal e o Japão

Cavala alimada, no Guelra (Fotografia de Henrique Isidoro/DR)
O Guelra encontrou o seu espaço material onde outrora encontrávamos o saudoso Caseiro, na Rua de Belém. Hoje, por iniciativa dos novos proprietários, o espaço está ao rubro, a prestar um serviço precioso a esta rua repleta de história.

O piso térreo do novo Guelra está transformado em balcão e esplanada e dá pelo nome de Ocean to Table, que quer dizer do oceano para a mesa. Ganhou com a recente renovação uma montra de peixe e marisco, e sofisticação, enquanto o piso superior, a que deram o nome de First Floor é um espaço de degustação.

É lugar em que facilmente nos deixamos ficar vagarosamente e fazia falta nesta parcela ribeirinha, resguardada da revoada turística. O biónico chef Manuel Barreto supervisiona ambos os pisos, o chef Gonçalo Gonçalves oficia ao jantar no espaço do primeiro piso. Foco-me na oferta de grande nível que ali se pratica, assente em ciência culinária de primeira linha. Por detrás está um racional de ponte gastronómica entre Portugal e Japão, que aconselhamos todos a percorrer.

Começa com uma ostra especial – da Ria Formosa -, temperada segundo o gosto português e a evocar a forma excelente de a consumir. Maravilhosa, há que dizê-lo. Vem depois sashimi de peixe do dia com miso e vinagre de arroz, sucedendo-lhe caldo dashi da semana; os temperos vão evoluindo ao longo do tempo. Altura para o tártaro de atum, de grande nível. O ramen de lula é muito especial e ousado, revela grande segurança culinária. Fica na memória o excecional prato de robalo, endívia roxa, puré de aipo e molho demi-glace, trabalho brilhante de fusão de sabores e técnicas.

A caminhar para a etapa final da degustação neste primeiro andar com vista para o mundo, surge a sobremesa muito especial de pêra nashi, batata-doce e camomila. A genial sequência termina com a proposta de baunilha e líchia de resultado telúrico e fundador. A assessoria vínica foi sempre certeira e oportuna, pela mão do oficiante Ricardo Bento.

A casa merece nova visita para aquilatar bem o que se passa no piso de baixo, donde jamais saímos insatisfeitos. Há ostras da Ria da Formosa que podemos consumir ao natural; petiscos diferentes e criativos, como rissol de lingueirão, crocantes de polvo e puntinillas de choco. O waffle de camarão, composto por tártaro de camarão, adobo, aipo, limão e noz, é intenso e ligeiramente picante, efeito fantástico na boca. Também se faz um excelente prego de atum rabilho, delicioso.

A tarte de queijo é uma belíssima forma de terminar a refeição. Está aqui um novo templo marítimo, como Lisboa tanto merece. Há bondade e muita arte nesta forma de oferecer o que vem do mar.

Guelra
Rua de Belém 35, Lisboa
Tel.: 939 002 081
Web: guelraott.com
Das 12h00 às 23h00. Não encerra.
Preço médio: 35 euros



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