Acabamos de atravessar o Douro e logo à entrada de V. N. Gaia damos com o Stramuntana, o restaurante de muitos encantos de bandeira e evocação transmontanas. Somos recebidos de braços bem abertos e abraço fraterno. A chef Lídia Brás recebe com o coração todos os que se aproximam da sua mesa e tem uma energia inesgotável ao longo do dia que dispensa a todos.
Reparte-se por dois pisos o serviço e o espaço dedicado aos clientes. No piso térreo o espaço é vocacionado para o petisco e para provar um vinho da excelsa garrafeira mantida por Fernando Araújo, marido de Lídia. Ali, apetece logo um chouriço na brasa e rapidamente é colocado à nossa frente. Nesta categoria, há petiscos de grande nível. Um folhado de vitela com cogumelos que é servido quente, cremosidade única.

Lídia Brás e Fernando Araújo (Fotografia de Leonel de Castro)
Lídia faz umas pataniscas de bacalhau que são quase a redefinição do pequeno frito que usualmente consumimos. Livre de excessos de gordura e de uma crocância notável. Os torresmos do rissol e o bucho com grão de bico completam a lista dos petiscos iniciais. Se vamos em toada mais vagarosa, instalamo-nos no piso superior. Ali vêm ter connosco pratos completos. Por exemplo bacalhau com broa, muito bem servido, com batatas assadas e muito carinho. O arroz de polvo é caldoso como se impõe e o polvo propriamente dito satisfaz muito bem em tenrura e sabor. A oferta de carnes vai longe na ambição e na qualidade.
A posta à Stramuntana é de forte ciência culinária, começando na selecção cuidada do corte e terminando no tempero da peça. Há sempre cordeiro na brasa e é bom caminho para a refeição ideal. Provei aqui uma língua de vaca estufada de antologia, que me fez rever mentalmente as vezes que provei outras versões e nenhuma atingiu tamanha envergadura. Faz-se aqui um javali no pote que não posso deixar de recomendar vivamente. O pudim de grelos é proposta forte para terminar a refeição e é de receita exclusiva da casa, além de excelente surpresa. A torta de laranja da chef Lídia é incrivelmente saborosa e suculenta. Há que vir muitas vezes ao Stramuntana para aquilatar a verdadeira dimensão do talento de Lídia Brás.
Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.
