Abrir esta padaria não fazia parte dos projetos do casal de brasileiros Marcella Fazio e Daniel Rebelo, a viver em Portugal há três anos, mas quase parece que estava destinado a acontecer.
Daniel era pequeno quando teve o primeiro contacto com a panificação. “Foi com um tio português que era padeiro no Brasil”, recorda. Talvez tenha sido o que o fez começar a fazer pão em casa quando ainda vivia em São Paulo. Depois as peças foram-se encaixando: uma viagem a Itália desmistificou os mitos associados ao glúten e serviu de introdução à fermentação natural.
Por fim, ler uma entrevista a Mário Rolando, da Padaria da Esquina, na revista de bordo de um avião, encheu Daniel de motivação para empreender e mudar de área para algo que realmente gostasse.
No início da pandemia ambos perderam os empregos, mas rapidamente puseram as mãos na massa, começando a fazer pão em casa. O projeto foi ganhando dimensão até que se justificou abrir um espaço, o que aconteceu no começo do ano, ainda o país se encontrava em confinamento. “Fazia fila no início porque era a única coisa nova da zona”, recorda Daniel, a sorrir.

Padaria Madan, na Foz Velha. (Fotografia de Igor Martins/GI)
Hoje, Marcella recebe quem entra na Madan e apresenta os bonitos pães expostos. Há-os de trigo, de trigo semi-integral, de trigo com sementes ou com centeio, de abóbora e nozes, baguetes, ciabattas e focaccias, produzidos com farinha moída em mó de pedra, água, fermento natural e sal, além dos frutos secos, ervas aromáticas e queijo, que alguns deles levam. A levedação faz-se durante 24 horas, no mínimo, o que torna o glúten mais fácil de digerir, e sempre recorrendo ao Dionísio, o isco (massa-mãe) que o casal fez quando chegou a Portugal.
Também de fermentação lenta é a massa dos fofos rolos de canela, dos pãezinhos de queijo e do brioche, feito com manteiga biológica e ovos de galinhas criadas ao ar livre, disponíveis de sexta a domingo.
