O Gaveto: 40 anos com marisco e tradição em Matosinhos

A marisqueira O Gaveto abriu em 1984, em Matosinhos
Em quatro décadas, a zona marítima de Matosinhos transformou-se tanto que quem voltasse hoje depois de longa ausência pouco iria reconhecer. A não ser que passasse pelo edifício que, desde 1984, acolhe o restaurante e marisqueira O Gaveto.

“Matosinhos era muito diferente. Quando o restaurante abriu, não havia aqui habitação nem restaurantes. Eram só fábricas de conservas, a fábrica dos fermentos ali em baixo, a da tripa, e algum pequeno comércio. Tudo o que agora se vê é posterior. Houve uma transformação grande nesta orla costeira”, conta João Carlos Silva, que com o irmão José Manuel está à frente das operações d’O Gaveto, uma das mais famosas e antigas marisqueiras da cidade.

O pai, Manuel Pinheiro, ficou com o espaço, onde funcionara um armazém de sal, pouco depois de abrir as portas. Na altura, dois sócios quiseram fazer uma casa diferente, mas chatearam-se e separaram-se. Manuel era já dono do restaurante Ribeiro, no Porto, e todos os dias ia comprar peixe ao Mercado de Matosinhos. A senhora que lhe vendia o peixe disse que ele tinha de ir para Matosinhos e que conhecia a casa ideal.

O Gaveto desde o início que trabalhou bem. O problema é que o proprietário, agora sozinho, não tinha dinheiro para pagar as dívidas. “O nosso pai ficou com o espaço e negociou com os credores”, prossegue João. Com a casa completamente montada e com equipa, foi só manter e ir aumentando a oferta. “Já era marisqueira. Nós começámos aos poucos a pôr cozinha tradicional: pratos típicos diários, como as tripas ao sábado, o cabrito ao domingo e, mais tarde, a lampreia na época dela.” Os clientes do Ribeiro também começaram a aparecer e O Gaveto foi crescendo.

José Manuel Silva e João Silva (Fotografia de Artur Machado)

O chef de cozinha, Humberto Alonso, está no restaurante desde o início. “Era aprendiz de cozinheiro no Ribeiro e lá a comida era mais tradicional”, diz José. “Quando o meu pai soube que isto ia abrir, ainda sem fazer ideia de que ia ficar com o espaço, pediu para o Alonso ir para ali estagiar por seis meses, para aprender a trabalhar o marisco e o peixe, até porque este abriu como o restaurante mais moderno de Matosinhos.”

O espaço foi sendo aprimorado e em 2018 fizeram-se obras de vulto. Manteve-se a sala do snack-bar e do restaurante e foi criada uma sala para eventos vínicos e um clube de vinhos. José Manuel Silva lembra que há 40 anos o vinho não tinha tanta importância, “bebia-se mais cerveja e só tínhamos aqueles vinhos da moda que os clientes pediam”.

Mas um cliente fez a diferença. “O Dirk Niepoort vem cá desde o início e começou a trazer garrafas para dar ao nosso pai e para partilhar. Isto, ainda antes de se tornar no famoso produtor que hoje é”, recorda José. Depois, começou a levar outros produtores e jornalistas da área e a garrafeira d’O Gaveto foi aumentando, assim como o seu prestígio nesta área.

O foco gastronómico continua a ser o marisco (arroz de lavagante, camarão da costa, percebes, sapateiras, lagostas), mas também o bacalhau, com pratos diários, ou os famosos filetes de pescada. Uma das grandes mudanças foi a lampreia. João Carlos Silva: “Não havia tradição de lampreia em Matosinhos, mas ao longo de dez anos o meu pai tanto insistiu que já se tornou uma referência”.

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.



Ler mais







Send this to friend