Quem conhece as áreas residenciais que circundam o centro histórico da cidade dos arcebispos dificilmente acreditará que, em pleno bairro do Fujacal, há um recanto parisiense para conhecer. Mas é mesmo disso que se trata. A inspiração francesa do Ó Brunch Café começa na decoração, que vai dos candeeiros vintage ao papel de parede floral e requintado, mais os quadros que apresentam um Napoleão Bonaparte reinventado, mas não se fica por aí. Será na carta (e até fora dela, dado que, semanalmente, há novidades extra-menu) que mais sentirá a presença do país dos croissants, da cidra e do chá Mariage Frères – tudo isto pode ser provado aqui.

Ó Brunch Café (Fotografia de Paulo Jorge Magalhães/GI)

Ó Brunch Café (Fotografia de Paulo Jorge Magalhães/GI)
A cereja no topo do bolo são os menus, pensados por Adelaide Martins, a proprietária (já a conheceremos adiante), para que quem chega pela primeira vez ao Ó Brunch encontre em simultâneo, no conjunto de quatro elementos (dois pratos e duas bebidas), algo comum e algo inusitado. “Desta forma conseguimos levar mais clientes a experimentar alguns dos pratos que, se calhar, individualmente, nunca provariam.” O menu Ó Croque, além de uma bebida quente, um sumo de laranja e um crepe doce, convida a provar um croque monsieur trufa. Já o da casa, que custa 9 euros, incluí uma cidra da Bretanha e um crepe de trigo sarraceno.
Estes dois últimos elementos são, aliás, os que merecem a grande atenção de quem visitar este refúgio francês. A cidra, com um sabor ácido, mas frutado, ao jeito da cidra tradicional, é o acompanhamento ideal para uma Galletes Sarasin (crepe de trigo sarraceno) de salmão, alheira ou vegetariana. Há ainda um crepe de maçã tatin, com gelado de baunilha e manteiga de caramelo salgada, confecionado com mestria, deixando na boca sabores intensos e prolongados.

Ó Brunch Café (Fotografia de Paulo Jorge Magalhães/GI)
Todos os pratos apresentados na carta saíram da imaginação, e tentativa e erro, de Adelaide Martins. Natural de Ponte de Lima, foi em criança que se mudou para Paris. Por lá ficou durante 25 anos, a estudar e, mais tarde, a trabalhar como bancária. Foi também lá que conheceu o francês Dan, o atual companheiro e parceiro de negócio. Depois de uma visita a Portugal, Dan ficou apaixonado pelo país e desafiou Adelaide a mudarem de vida. Deixaram os empregos com a ideia de abrir um restaurante em Portugal. Braga foi a escolha, principalmente por considerarem que é uma cidade “ainda com muito para crescer”.
Sem qualquer experiência profissional na área da culinária, a proprietária, e também cozinheira, inspira-se nos seus gostos e na gastronomia que provou em França para completar a carta e apresentar de forma regular novidades. Se se sentar no Ó Brunch Café e estiver indeciso sobre o que provar, peça uma sugestão a Adelaide Martins.

Ó Brunch Café (Fotografia de Paulo Jorge Magalhães/GI)
