A receita é muito simples: ovos, farinha e açúcar, como todo o pão-de-ló. ”O que caracteriza mais o de Vizela é a massa de pão-de-ló cozida, mas húmida. Tem uma leveza e uma suavidade muito grandes, que o tornam diferente.” As palavras são de Pedro Tiago Vaz, à frente da Casa do Pão de Ló Delícia, que se anuncia numa placa à entrada como a “casa criadora” daquela especialidade regional de fabrico secular – há registo da sua presença, em 1884, na Exposição Industrial Concelhia de Guimarães, como aponta a cronologia também à porta.

Pedro Tiago, atual responsável pelo negócio. (Fotografia de Leonel de Castro/Global Imagens)
Lá dentro, surgem fotografias a preto e branco e demais documentos, lado a lado com a joia da coroa, de formato retangular: o “pão-de-ló coberto de Vizella – Delícia”, conhecido, popularmente, como bolinhol, explica Pedro Tiago. O responsável pelo negócio, que foi passando de geração em geração, conta que se manteve a receita e o método de fabrico daquele doce, criado por Joaquina Pedrosa da Silva.

Depois de cozido, o bolinhol leva uma cobertura de açúcar, que lhe confere humidade. (Fotografia de Leonel de Castro/Global Imagens)
Para lá das montras e prateleiras recheadas de guloseimas que atraem os olhares, existe todo um processo a decorrer para garantir a presença do produto-estrela na mesa. Depois de batida a massa até ficar bem fofa e arejada, o bolinhol vai a cozer em fornos de barro e, já cá fora, um a um, é-lhe aplicada uma cobertura de açúcar, que lhe confere humidade. Em 2019, o bolinhol de Vizela foi eleito uma das 7 Maravilhas Doces de Portugal.
Boas companhias
Na Casa do Pão de Ló Delícia, há bolinhol durante todo o ano e, nas alturas da Páscoa e do Natal, existem seis tamanhos disponíveis (desde 250 gramas até dois quilos). No entender de Pedro Tiago Vaz, o bolinh11ol vai bem “com tudo”, desde café e chá até refrigerante, e mesmo com queijo; mas sobretudo com espumante, o seu acompanhamento de eleição.
