O terraço panorâmico do edifício LACS, em Alcântara, que antes se dividia entre restaurante e zona de bar com pista de dança, está hoje preenchido com mesas e uma esplanada arejada, às quais chegam os petiscos da nova carta de verão do Ōkah Restaurant & Rooftop, o inquilino daquele espaço há já dois anos, que reabre no pós-pandemia com o reforço da sua oferta em pratos para partilhar, sem horários rígidos e uma cozinha sempre aberta.
“Sempre gostei muito da ideia da partilha à mesa, até mesmo em casa. Adoro receber e petiscar. Temos uma riqueza gastronómica que ajuda a isso mesmo”, explica Luís Barradas, chef do Ōkah desde o final do ano passado. A nova carta que assinala a reabertura do espaço e o verão, aposta numa cozinha étnica, de várias influências e fusões, mas dando prioridade ao produto nacional, de época, e numa lógica de proximidade, sem desvirtuar o foco dos três pilares da cozinha do Ōkah: mar, terra e horta.

Os croquetes de rabo de boi e os rissóis de berbigão são alguns dos petiscos da carta de verão. (Fotografias: DR)

A oferta de sushi e sashimi alimenta-se de um leque variado de peixe e marisco da nossa costa.
A gastronomia marítima, para começar, sempre esteve ligada ao percurso de Luís Barradas. O primeiro trabalho do chef setubalense foi “a grelhar peixe no Algarve”, depois aventurou-se no sushi, abriu os dois primeiros japoneses de Marrocos e chegou a certificar-se como sushiman na All Japan Sushi Association. Todas as manhãs, traz para o Ōkah o peixe e marisco mais fresco da lota de Setúbal. Chega de tudo um pouco, mas o chef tem gosto especial em trabalhar espécies menos consensuais como fataça, raia e pata-roxa.
Na carta, a inspiração no mar prova-se em pratos como o mexilhão thai (leva um caril verde e foi inspirado numa das últimas viagens a Banguecoque); os cremosos rissóis de berbigão (que chegam à mesa numa cama de conchas dos mesmos); o tártaro de carapau (acompanhado de pappadums de cominhos, uma tempura crocante em forma de concha que nos leva até à Índia); o pica-pau de atum ou o clássico choco frito. Aliás, Setúbal está presente em várias frentes na carta, ora com as algas do Sado que acompanham alguns pratos de peixe, e que o mesmo apanha quando vai a mergulhos, as ervas que apanha na Serra da Arrábida ou o Moscatel de Setúbal que usa na pêra bêbeda com gelado de Queijo de Azeitão e Bolacha Piedade, uma das sobremesas.
Ainda no peixe e marisco, a oferta de sushi e sashimi faz-se de um leque variado, do salmonete ao carapau, atum, salmão selvagem do Alasca, pregado, cavala, camarão ou choco. Mas um dos destaques vai para as peças de gunkan de robalo e bivalves regado com um molho à Bulhão Pato.

O tártaro de carapau com pappadums de cominhos.

A pêra bêbeda em Mostacel de Setúbal com gelado de Queijo de Azeitão, homenagem às raízes setubalenses do chef.
O húmus de beterraba e requeijão, com pão pita e crudités é um dos petiscos que chega da horta, assim como a fresca m as substancial salada de tofu com pêssegos grelhados. A inspiração na terra concretiza-se em petiscos como os croquetes de rabo de boi com mostarda, as gyozas de frango e umas chamuças de pato, todos bem recheados por dentro e ideais para comer a qualquer hora do dia, até porque a cozinha não fecha entre almoço e jantar.
Ōkah Restaurant & Rooftop
Edifício LACS, Cais Rocha Conde d’Óbidos, 4º andar (Alcântara)
Tel.: 914110791
Web: okah.pt
Das 12h30 às 23h. Encerra à segunda-feira.
Preço médio: 20 a 30 euros.
