Por ser um dos temperos essenciais da cozinha mediterrânica, Ana Afonso e André Campelo acharam apropriado chamar Louro ao restaurante gastronómico que abriram na aldeia ribeirinha de Torre, em Viana do Castelo. Fica afastado do centro urbano – era intenção da dupla criar um lugar “onde se fosse de propósito para comer” – no recato de uma casa ajardinada, com uma sala elegante, de tons neutros, relvado com um espigueiro e um agradável alpendre. Os dois jovens conheceram-se na Escola de Hotelaria e Turismo de Viana, e seguiram caminhos diferentes, com passagens pelo estrangeiro, até voltarem a cruzar-se, anos depois, e começarem a pensar num regresso.
Abriram o Louro em maio de 2019, com André ao comando da cozinha, assumidamente de autor, mas que vai beber ao receituário regional. Os produtos da época ditam o conjunto de pratos que a cada quatro meses compõem uma nova carta.
- André Campelo e Ana Afonso (Fotografia: Rui Manuel Fonseca/GI)
- Louro (Fotografia: Rui Manuel Fonseca/GI)
A de verão, ainda em vigor, marcou a reabertura do restaurante depois do último confinamento, e em jeito de celebração junta alguns dos pratos favoritos dos clientes de todas as cartas anteriores, apresentados desta vez com ligeiras alterações.
Uma das propostas mais populares, e que evidencia a inspiração na gastronomia local é o Manco à vianense. É “o nome que aqui se dá às sapateiras que vêm sem uma perna”, explica Ana. O recheio saboroso de sapateira e broa é servido com ovo a baixa temperatura, pickles caseiros e azeitona, e ainda um molho feito com a carcaça e outros excedentes da sapateira, que ilustra a preocupação de Ana e André em diminuir o desperdício no restaurante.
- Louro (Fotografia: Rui Manuel Fonseca/GI)
- Louro (Fotografia: Rui Manuel Fonseca/GI)
- Louro (Fotografia: Rui Manuel Fonseca/GI)
Outro exemplo do máximo aproveitamento de matérias-primas é o suave gelado de sementes de abóbora que acompanha as Meias Luas à Louro. Esta reinterpretação de um doce conventual de Viana do Castelo é recheada com fios de abóbora e creme de amêndoa.
Para quem prefere sobremesas mais leves, o Pêssego conquista pela subtileza, sem deixar de ser surpreendente. Chega à mesa na forma do dito fruto, mas a primeira colherada revela logo uma harmoniosa sequência de camadas: mousse de iogurte, geleia de pêssego e pêssego confitado. Certo é acabar a refeição em boa nota, seja qual for a escolha.
- Louro (Fotografia: Rui Manuel Fonseca/GI)
- Louro (Fotografia: Rui Manuel Fonseca/GI)
- Louro (Fotografia: Rui Manuel Fonseca/GI)
Menu de degustação
A cada nova carta fica também disponível um menu de degustação com cinco momentos: duas entradas, prato de peixe, prato de carne e uma sobremesa.
