No novo menu do Mattë, em Lisboa, há nigiris para comer em 20 segundos

O menu de 12 momentos termina com vários nigiris. (Fotografia: DR)
O restaurante japonês Mattë lançou um novo menu “kaiseki”, desenhado exclusivamente para um balcão de até oito lugares, composto por 12 momentos da autoria do chef de sushi Habner Gomes. Uma experiência em mutação constante, pois cada peça depende do peixe fresco disponível. O menu pode ser harmonizado com vinho, champanhe ou o típico sake.

Habner Gomes, nascido em Minas Gerais há 31 anos e há 14 em Portugal, está como um peixe na água atrás do balcão de oito lugares do Mattë, restaurante japonês cuja cozinha lidera desde a abertura, na zona de Santos, há três anos. Alinhado com as ambições do proprietário – Gustavo Neves, que andou a viajar pelo mundo durante quatro anos em busca das melhores referências para criar um espaço de alto nível gastronómico -, Habner desenhou um menu de 12 momentos de inspiração “nanban”, em homenagem ao muito que os portugueses introduziram no Japão.

O mundo já deu muitas voltas desde que o povo “bárbaro do sul” – forma como os nativos apelidaram os portugueses – se fixou no Japão, nos séculos XVI e XVII. O que Habner faz é recuperar algumas técnicas de cozinha então introduzidas, apresentando-as de uma forma contemporânea e depurada, com os produtos nacionais à cabeça. 80% do pescado utilizado neste menu tem origem no arquipélago dos Açores e 20% chega do Algarve, como no caso da amêijoa e do camarão. A promessa do chef é respeitar a sazonalidade de cada matéria.

“O menu kaiseki é a celebração da estética ao serviço dos ingredientes da temporada”, diz o chef antes de dar início à dança a solo atrás do balcão e durante a qual serve cada peça no imediato, à frente do cliente. Importante é saber que apesar de haver uma estrutura fixa, todos os momentos podem sofrer alterações em virtude da matéria-prima disponível. Agora é praticamente inverno, de maneira que Habner Gomes tem mais salmonete, sarrajão e caranguejo-real dos Açores para trabalhar, tendo como preocupação a sustentabilidade.

Como primeiro momento o chef pode propor, por exemplo, um usuzukuri de lírio dos Açores com uma semana de maturação, com ponzu picante. A técnica de envelhecimento, através de humidade e temperaturas muito controladas, permite que as fibras do peixe se quebrem e ele ganhe uma textura mais macia e mais sabor, explica Habner Gomes. Mas é uma técnica que só funciona com peixes brancos e com atum, adverte. Segue-se um sunomono (salada de pepino japonesa), como limpa-palato, e uma peça de atum bonito com ponzu e sésamo ralado.

Dentro da lógica de mudança constante, conforme a matéria-prima disponível, o chef pode enviar também sashimi de salmonete de Setúbal com a pele levemente braseada, com uma redução de cabeça de carabineiro; sopa miso com caranguejo-real dos Açores; tempura de ostra do Sado com maionese de yuzo e limão-caviar; e atum com gema de ovo, numa peça feita com arroz avinagrado, em que é utilizado um vinagre vermelho, japonês, envelhecido. Ele estagia 10 anos em barricas de saké e vem diretamente do Japão, acrescenta Gustavo.

Depois, segue-se um desfile de nigiris, a maior parte deles pincelados suavemente com soja e terminados com um pouco de wasabi. Robalo, goraz, imperador, lírio e otoro (barriga de atum com 10 dias de maturação) estão entre as peças possíveis, que devem ser comidas à mão “no tempo máximo de 20 segundos para manter os 32 graus de temperatura do arroz e a frescura máxima do peixe”, indica o restaurante. O futomaki (omelete japonesa, abacate, atum, camarão e lírio) e uma sanduíche de wagyu em pão brioche completam o menu.

No final, há tempo e espaço, ainda, para uma sobremesa, que pode ser pudim de gengibre japonês. O menu kaiseki está disponível de terça a quinta-feira, ao almoço (12h30 às 15h) e ao jantar (19h30 às 24h), pelo valor de 125 euros/pessoa, sem bebidas, e mediante reserva prévia, podendo ser harmonizado com vinho, champanhe ou saké. Gustavo Neves, dono do Mattë, acrescenta ainda que a aposta num menu kaiseki, ao balcão, decorreu da evolução natural dos pedidos, já que “95%” dos clientes “faz questão de se colocar nas mãos do chef”.

 

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.



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