No Abrazô, em Matosinhos, as culturas gastronómicas fundem-se no prato

(Fotografia de Marcelo Romano/DR)
No Abrazô, um dos mais recentes espaços do Mercado Municipal de Matosinhos, a chef baiana Ana Sales explora as influências europeias e africanas na gastronomia brasileira, oferecendo uma experiência de viagem no prato.

A comida que sai das mãos da brasileira Ana Sales é uma incursão pelas suas memórias e um abraço entre culturas gastronómicas. Uma tentativa de “enfatizar e trazer toda a influência colonial e imigratória” para o prato, revela a mentora do Abrazô, cujo nome remete para “uma receita africana que faz parte da comensalidade brasileira”. Desde maio passado, Abrazô é também o seu espaço no Mercado Municipal de Matosinhos.

E foi exatamente a paixão pela gastronomia que levou a chef baiana a aterrar em Portugal, em 2019, depois de 20 anos a viver no Rio de Janeiro. Ana queria estudar gastronomia portuguesa por ser aquela que está na “base” da brasileira. Mas o início da pandemia, logo após a sua chegada, colocou-lhe alguns desafios no caminho, levando Ana a experimentar várias ocupações. Chefiou a cozinha de um restaurante de gastronomia asiática, iniciou um negócio de chef em casa, que acabou devido às medidas de contenção da pandemia, e lançou o Brasileirinho, um projeto de comida brasileira caseira, com entregas ao domicílio, que se revelou um sucesso. Os pedidos para o acarajé eram tantos que não conseguia dar resposta, pelo que a abertura de um espaço seu, depois de ter percebido que “havia um público com saudades das comidas de origem, e que não era o público do chef em casa”, acabou por ser o passo seguinte.

No mercado, onde conta com a ajuda da cozinheira baiana Gizelia Costa, Ana Sales dedica-se à interculturalidade, aos pratos brasileiros influenciados pela Europa e por África, numa cozinha que tem como referência “a descrição dos cheiros, cores e texturas presentes em ‘Gabriela, cravo e canela’, a obra do escritor baiano Jorge Amado”.

O pastel de queijo, por exemplo, “foi levado [para o Brasil] pelos japoneses”. Já a coxinha de frango tem mão lusa. “É uma criação dos portugueses. Faltava frango na coroa e para o fazer render envolveu-se em massa, e aí se tornou a menina dos olhos dos brasileiros”. Nos pratos principais, há propostas com carne, peixe ou marisco e veganas. Destaca-se o saboroso e suave bobó de camarão, servido com arroz basmati e farofa de dendê, a moqueca de banana e o baião de dois. No capítulo mais doce não faltam brigadeiros, pudim de leite, manjar com calda de ameixa e cocada.

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.



Ler mais







Send this to friend