Milhos doces: a sobremesa das memórias felizes de Lídia Brás

Os milhos doces, de Lídia Brás, no Stramuntana (Fotografia de André Rolo)
Lídia Brás, chef transmontana que cozinha pratos regionais no seu restaurante Stramuntana, em Vila Nova de Gaia, recorda a época de Natal da sua infância, no lugar de Estevais. Os milhos doces, tradição que a mãe levou da sua aldeia Souto da Velha, tinham lugar seguro à mesa.

“É simples, mas tem muito que se lhe diga, porque está associado a memórias muito positivas, a dias de festa”, diz Lídia Brás sobre os milhos doces, sobremesa disponível na carta do seu restaurante Stramuntana, em Vila Nova de Gaia. A chef natural do nordeste transmontano lembra que os milhos doces eram presença fixa à mesa na semana de Natal, a par do bolo-rei, das filhoses e das rabanadas: “Era a altura da cozinha mais farta”.

A sêmola de milho tem uso antigo na região. “Em Chaves é utilizada para os milhos ricos, um prato salgado.” Mas onde cresceu a mãe de Lídia, a aldeia Souto da Velha, em Torre de Moncorvo, os milhos são doces. Lídia já cresceu com a família na terra do pai, Estevais (Mogadouro), mas a tradição manteve-se, sempre associada às festas.

“O Natal era um momento muito feliz, uma das duas alturas do ano em que o meu pai vinha a Portugal, pois estava emigrado na Suíça.” De resto, toda a família que estava fora voltava e reunia-se por uma semana. “Íamos fazer o presépio à igreja, íamos aos montes apanhar musgo e apanhar cogumelos lá pelo meio.” Os milhos, uma das doçarias mais simples de confecionar, leva cinco ingredientes: água, casca de limão, canela, açúcar e a sêmola. “Na zona centro do país fazem o mesmo, mas com leite, e chamam-lhe [papas de] carolo; há muitos pratos que são transversais na tradição portuguesa.”

A ideia é cozer o milho na água aromatizada pelos restantes ingredientes, até ter a consistência do arroz-doce. Aguenta-se dias à mesa, seja para sobremesa da consoada – que aqui se faz com bacalhau e arroz de polvo -, ou para o dia 25, para rematar um assado, que podia ser cabrito, cordeiro ou porco, “o que houvesse disponível”, tudo para aproveitar o forno a lenha sempre quente, por esses dias de inverno.

Ingredientes:

. 1 chávena de chá de carolo de milho
. 3 chávenas de chá de água
. 1 casca de limão
. 1 pau de canela
. 3 colheres de sopa de açúcar
. Canela em pó q.b.

Preparação:

Colocar a água num tacho, juntamente com o pau de canela e a casca de limão. Pôr água a ferver. Retirar e acrescentar a sêmola de milho (previamente lavada) e levar ao lume. Ir mexendo com frequência. Quando estiver a ferver, colocar em lume brando e continuar a mexer até todo o líquido ser absorvido. Acrescentar o açúcar. Quando a consistência estiver cremosa e idêntica à do arroz-doce, retirar do lume. Retirar o pau de canela e a casca de limão. Colocar num prato, decorar com canela em pó e servir. Os milhos doces podem comer-se quentes ou frios.



Ler mais







Send this to friend