Mealhada: uma pausa do Carnaval no mais antigo templo do leitão

Pedro dos Leitões (Fotografia de Maria João Gala)
Há mais de 80 anos que o Pedro dos Leitões atrai comensais de todo o país à Mealhada, pela forma exímia como serve o leitão assado à moda da Bairrada. É um clássico, a que voltamos sempre, de passagem ou por destino.

Pioneiro no desenvolvimento da restauração local, que hoje enche ambos os lados da N1 e motiva a peregrinação rodoviária à Mealhada, Álvaro Pedro viu uma lacuna e moveu-se pelo sonho de montar o seu próprio negócio. Trabalhava no Palace Hotel da Curia quando decidiu ir para o Brasil tentar a sua sorte. Veio de lá pouco tempo depois, com algumas poupanças que lhe permitiram abrir, em 1941, o primeiro templo do leitão assado à moda da Bairrada.

“No sítio onde hoje é o parque de estacionamento, ele arrendou uma pequena mercearia que havia ali e começou a vender sandes de leitão e cerveja do poço [era no poço que se refrescavam as bebidas]. O leitão assado era um prato já secular, que era usado só em dias de festa. Pegou nesse nicho e o que ele inventou foi a restauração, que não existia exceto nos hoteis de termas”, conta Filipe Castela, que ao lado dos irmãos Pedro e Sandra assume hoje a gerência do restaurante que o avô fundou.

Pedro dos Leitões (Fotografia de Maria João Gala)

Pedro dos Leitões (Fotografia de Maria João Gala)

 

Os automobilistas foram parando, e o passa a palavra depressa fez crescer a fama do Pedro dos Leitões, que em 1947 atravessou a rua e foi instalar-se na morada que ainda mantém, ganhando, ao longo das décadas, mais duas salas – no total, sentam-se mais de 400 pessoas -, e modernizando-se na medida certa. A casa mantém a sua aura clássica, com madeiras escuras e o soalho original, mesclada com apontamento modernos, como a garrafeira iluminada que dá passagem à sala principal – o espumante, diz Filipe, faz o melhor pairing com o leitão, mas a carta, com mais de duas mil referências, dá palco a vinhos de todo o mundo -, e referências à história do restaurante e ao fundador. Num expositor, entre fotografias, prémios e certificados, exibe-se a faca de trinchar que Álvaro Pedro trouxe do Brasil, e que ainda hoje é replicada, para garantir um corte limpo.

Pedro dos Leitões (Fotografia de Maria João Gala)

 

É o leitão assado, claro, de pele crocante, a despegar-se da carne tenra, e com o molho apimentado, que ali atrai os comensais. Mas também há outros pratos de gabarito. “Os filetes de pescada – temos clientes de Lisboa que vêm cá de propósito pelos filetes -, o bacalhau à Zé do Pipo, a cabidela e as iscas de leitão também são muito procuradas”, enumera Filipe. A clientela é fiel, e vem de todo o país. “O Pedro dos Leitões é um clássico”.

Pedro dos Leitões
Rua Álvaro Pedro, 1, Mealhada
Tel.: 231209950
Das 12h às 22h. Não encerra.
Preço médio: 35 euros

 

Ao ritmo do Brasil
Desde 1971 que o Carnaval Luso-Brasileiro da Bairrada enche as ruas da Mealhada de cor, música e dança com ritmos que atravessam o Atlântico. Depois do Carnaval Trapalhão e do Carnaval de Palmo e Meio, que já trouxe à rua os foliões mais pequenos, esta sexta-feira é a vez das escolas de samba se apresentarem ao público, às 21h30. Os momentos mais esperados da festa acontecem no domingo, dia 2 de março, com o grande Corso Carnavalesco, que se repete na terça-feira, dia 4. Ambas as sessões acontecem às 15h. E ainda o desfile noturno, que arranca às 21h30 de segunda-feira. Há bancadas montadas ao longo de todo o percurso dos cortejos, que vão desaguar na Avenida 25 de Abril. Este ano, a tradição dos Reis do Carnaval mantém-se, com a atriz brasileira Luana Piovani e os dois mealhadenses Manuel Lopes e Lourenço Ligeiro – autores da comédia “A Ratoeira Portuguesa” -, a usar a coroa. Bilhetes diários a partir de 7 euros por pessoa. Web: instagram.com/carnavalmealhada

Carnaval da Mealhada (Fotografia de Fernando Fontes)



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