No início dos anos 1980, Artur Azevedo tinha 20 ou 21 anos e, como o próprio diz, “já estava na altura de fazer alguma coisa”. Natural da Trofa, este filho do dono de um supermercado alinhou com os pais em abrir um restaurante. “No início, não tínhamos experiência nenhuma de restauração, mas experimentámos”, conta. A casa abriu a 19 de março de 1983, metade café, metade restaurante, ainda sem leitão na carta.
Desde logo, apostaram em especialidades tradicionais, principalmente de bacalhau, que ainda hoje continuam a ser alguns dos pratos mais pedidos – com broa, à Zé do Pipo ou à Braga. Foi após uma visita a um amigo na Mealhada, meia dúzia de anos depois, que decidiram mudar de rumo. “Foi ele que nos incentivou. Ele tinha um restaurante onde jantámos e na mesa ao lado estava aquele que disse ser o ‘melhor assador da Mealhada’. Falámos com ele – o Garcias – e trouxemo-lo para cima. Ficou na casa meia dúzia de anos e o sogro de Artur aprendeu a assar com ele. “É até hoje o nosso assador”, refere.

O leitão tornou-se na especialidade da casa.
(Fotografia: Telmo Pinto/GI)
- Antes de ir para a mesa, com batatas fritas, salada e vinho, o leitão fica no forno duas horas. (Fotografia: Telmo Pinto/GI)
Na Trofa não havia nenhum espaço dedicado ao leitão, por isso, o negócio começou devagar. “Assávamos um leitão ao meio dia e outro à noite e dávamos a provar aos clientes. Foi de boca a boca e na própria mesa que foi crescendo e hoje tem dias que assamos até 200”, conta Artur. O prato original da Mealhada superou os outros em termos de prestígio e tornou-se a especialidade da casa. Começaram com dois fornos a lenha e agora são 22.
A família também foi crescendo e além de Artur e o irmão Fernando, o filho do primeiro, Marco, também já toma conta do negócio. A família chegou mesmo a criar leitões na sua quinta, mas não conseguiam ter animais suficientes e agora trabalham com quatro fornecedores. Mas continuam a ter a quinta onde criam animais como galinhas e gado, com que fazem os outros pratos de carne que aqui servem, como o costeletão, a vitela, a posta, o cozido à portuguesa ou o arroz de cabidela.
Quanto ao leitão servido naquela casa trofense, é iguaria que tem os seus truques. Antes de ir a assar é recheado com um molho – o mesmo que depois acompanha o prato e cuja receita é segredo – e fica no forno duas horas. É acompanhado por batata frita às rodelas e salada com laranja. No copo, os espumantes da Bairrada, ou mesmo do Douro, brilham com o prato.
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