Foi do Brasil que Sérgio Martins trouxe a ideia para os hambúrgueres que serve desde maio do ano passado no seu restaurante Lá Calle 29, em Matosinhos. Natural do Rio Grande do Sul, onde é hábito comer este tipo de “lanche”, o “xis”, como lhes chamam, Sérgio decidiu apostar neste produto no seu primeiro negócio em nome próprio.
Em Portugal há cerca de 20 anos, estava a trabalhar há vários anos como grelhador num restaurante de peixe em Matosinhos, mas quando veio a pandemia achou que estava na altura de apostar em algo mais pessoal. “Quis entrar no negócio do delivery e tive a sorte de conseguir ficar com esta casa onde antes funcionava um bistrô”, conta Sérgio. Apostou no momento certo “quando as pessoas deixaram de ter medo de encomendar comida para casa”, hábito que a pandemia veio promover. E como gostava muito de comer este tipo de “lanche” quando estava no Brasil – e que não encontrava cá – foi isso que decidiu fazer, “com bons produtos, a preço justo”, diz. A diferença entre os hambúrgueres passa muito pelo pão. “O pão que se usa em Portugal tem mais fermento”, refere. Por isso, o que serve na sua Calle 29 é de outro estilo e de receita própria, à base de ovo e leite, e é servido prensado.

Restaurante Lá Calle 29. (André Rolo / Global Imagens)
Depois, há o tamanho. Além dos hambúrgueres mais convencionais de 12 centímetros, tem hambúrgueres XXL de 18, sendo o La Calle Especial o que tem mais saída. É recheado com frango, bife de alcatra, hambúrguer, bacon, toscana, ovo, cebola grelhada, queijo, alface, tomate e maionese. “Normalmente dá para duas pessoas, mas há quem coma sozinho um inteiro”, refere. Além disso, também serve francesinhas, feitas com as tradicionais salsichas e linguíças do Leandro, quatro propostas de bife – doses para duas pessoas – cachorros e, para entradas, batatas fritas com chedar ou bacon, toscana acebolada ou nachos com queijo.
Depois das restrições, o La Calle 29 abriu as portas para receber o público. E se no início houve dias menos bons, logo o passa a palavra e a promoção nas redes sociais começou a levar muita gente a esta rua sem saída na Senhora da Hora. Há pessoas que vêm de Lisboa e de outros lugares do país para provar os hambúrgueres”, conta com satisfação. Ao fim de semana há mesmo filas à porta. Não demorou muito, por isso, a abrir outro espaço – em março passado, na Maia. E para breve haverá mais um em Vila Nova de Gaia.
Este sucesso em tão curto espaço de tempo é mérito da qualidade dos produtos, acredita, mas não só. “A equipa é muito unida e sente-se bem a trabalhar aqui. Começámos por ser dois, eu na cozinha e outra pessoa na sala. Agora somos cinco neste restaurante e mais cinco na Maia”, conta. É caso para dizer que a união fez a força.

Sérgio Martins, proprietário.
(André Rolo / Global Imagens)
