A cozinha está à vista de todos, atrás do balcão onde Ricardo Gonzalez termina o empratamento. É pequena, mas tem o espaço suficiente para albergar a criatividade e ousadia do chef, que conta 18 anos de carreira e regressa agora à cidade natal para um projeto em nome próprio, onde não existem limites à imaginação.
Em agosto abriu portas o Ao Deus Dará, com uma agradável esplanada em frente à Sé. O nome – ideia da namorada e designer de moda Filipa Pinto, que incentivou Ricardo a avançar com o projeto – é apropriado à aventura que espera quem ali se senta à mesa, deixado não às mãos do acaso, mas do chef. “A minha postura na gastronomia sempre foi nunca fazer o mesmo. Não gosto de monotonia”, assume Ricardo.

Ricardo Gonzalez e Filipa Pinto (Fotografia: Gonçalo Delgado/GI)
A carta segue as bases da cozinha tradicional, mas com roupagens arrojadas, a que se juntam ingredientes de outras paragens, e sazonais. “Os ingredientes são as ferramentas que uso para provocar sensações e experiências. Aqui não há pratos formais ou tradicionais”, assegura o chef.
Há pratos de “picanço”, petiscos para partilhar, e de recobro, mais robustos. Todos criados a partir de casamentos improváveis e apelativos, que seduzem pela ousadia, como as bolas de berlim recheadas com creme de presunto – já um ex-líbris -, ou as gyoza de cozido à portuguesa, o queijo de cabra com massa kataifi, e as costelinhas de cordeiro com molho chimichurri.
- Gyoza de cozido a Portuguesa (Fotografia: Gonçalo Delgado/GI)
- Croquetes de presunto (Fotografia: Gonçalo Delgado/GI)
“É um serviço sem salamaleques, como se estivéssemos em casa, descontraídos”, diz o chef, que dá, a tudo o que vai para a mesa, uma apresentação contemporânea e elegante.
Durante a semana, à carta junta-se o menu executivo (prato, pão, bebida e café a 12 euros) e no espírito da criatividade, regularmente são ainda organizados jantares especiais a quatro mãos com chefs convidados.
- Costelinhas de cordeiro (Fotografia: Gonçalo Delgado/GI)
- Cocktail Beijo (Fotografia: Gonçalo Delgado/GI)
Quando termina o serviço, a cozinha esconde-se atrás de uma porta de correr e o espaço transforma-se em bar, com uma longa lista de cocktails, clássicos e de autor. Em matéria de bebidas sobressaem ainda as sangrias, de framboesa, maçã e lima ou pepino e gengibre, e uma surpreendente seleção de vinhos. Assim é, também, tudo o resto.
Como um abade
Às terças à noite é dia de jantar Como um Abade: uma seleção de tapas à escolha do chef, sem limite de consumo, a 20 euros por pessoa.




