Há uma padaria com pão de fermentação lenta e bolos vegan no Bonfim

Lucas Batista Silva, da Odete Bakery. (Fotografia: Artur Machado/GI)
Tudo é feito com calma, nesta padaria-pastelaria no Bonfim, de seu nome Odete. Ali não entram matérias-primas de origem animal e o ambiente remete para outros tempos.

É a avó materna, Odete, e tudo aquilo que aprendeu com ela que Lucas Batista Silva homenageia na sua recente padaria artesanal e pastelaria vegana, no Bonfim. “Foi uma referência de liberdade, foi muito empreendedora”, recorda o brasileiro, nascido em São Paulo. “A minha avó fazia coisas que ficaram muito marcadas na minha infância, como bolo de coco, bolinho de chuva, doce de leite e pão”, conta, sublinhando ter sido com ela que aprendeu a arte paciente de fazer pão.

Mas nem sempre foi o gosto pela cozinha a orientar-lhe a vida vida. Só quando viajou até Paris, à boleia do mestrado em Ética Ambiental – depois de se formar em Filosofia no Rio de Janeiro – é que o interesse pela cozinha e pelo veganismo começou a despontar. Foi fazendo, então, cursos pontuais, e trabalhando em cozinhas. Foi num hotel do Brasil que teve o primeiro contacto com a culinária portuguesa, o que acabou por ser útil quando veio, em 2017, viver e trabalhar em Portugal. Quando um espaço no rés-do-chão de um prédio no Bonfim ficou vago, Lucas decidiu aventurar-se a solo.

Criou uma rede de fornecedores locais, com boas matérias-primas, como a farinha moída em mó de pedra da Paulino Horta. E apostado em fazer tudo de raiz, abriu a Odete, em meados de janeiro. Uma pastelaria com ambiente de “casa da avó”, onde os bolos simples ou confeitados são levados à mesa em louça antiga e o café da Combi é servido em chávenas de porcelana resgatadas de lojas em segunda mão. Trazer referências “veganizadas” da pastelaria clássica era uma das vontades de Lucas, que ali faz a massa folhada dos croissants, do pain au chocolat e da base dos pastéis de nata.

Mas nem só de doçaria se faz a Odete. A carta contempla ainda uma surpreendente bruschetta de abacate com chutney de tomate, tosta de shiitake, pasta de brócolos e cebola caramelizada, e ao sábado à noite comem-se cinco pizas diferentes. Sejam as bruchette, as tostas ou a piza, tudo é feito com massa de pão caseira, que leveda durante 24 horas.

Há quatro tipos diferentes de pão à escolha para comprar: de trigo, trigo integral, gengibre ou curcuma e pimenta preta. Quando sobra, o pão do dia anterior ganha um novo nome – “pão feio” – e um preço mais baixo, descendo um euro. Já o sabor, esse, continua a ser bem bonito.

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