É um bolo e é um pão ao mesmo tempo, não é fogaça (e convive bem com isso, sem despique), e faz parte de uma tradição feirense associada à quadra pascal. A regueifa doce de Santa Maria da Feira é o pão da Páscoa, confecionada há muitos e muitos anos, em forno a lenha, em família, pelas madrugadas dentro, para consumo caseiro ou para venda. Não havia casa sem regueifa doce na Páscoa. Ainda hoje assim é.
Glória Celestino e Lúcia Castro, mãe e filha, deitam as mãos na massa da regueifa doce na Delícias do Castelo, casa de doçaria tradicional e artesanal, em Santa Maria da Feira. A receita já vai na quarta geração. Leva ovos, açúcar, manteiga, farinha de trigo, fermento natural, leite, canela. “Tal e qual como era feita antigamente”, garante Lúcia Castro. É amassada na véspera de ir ao forno, fica em repouso de um dia para o outro. A regueifa é feita todo o ano mas ganha importância na época pascal, com vários tamanhos e pesos.

Regueifa doce da Delícias do Castelo (Fotografia: Maria João Gala/GI)
A mãe Glória vai ao passado resgatar memórias. “Na altura da Páscoa, todas as casas coziam regueifa. Era o governo da nossa casa. A regueifa era cortada em quatro partes, a minha mãe embrulhava o que sobrava num lençol e colocava no guarda-fatos”, recorda.
Lúcia não esquece o cheirinho quando abria o armário da avó. Pedro salienta mais uma virtude do pão doce. “Aguenta 10 dias no estado normal”, sublinha. Mesmo recessa, é servida tostada ao pequeno-almoço, à sobremesa ou ao lanche. Sem perder qualidades. A acompanhar, vinho do Porto, vinho tinto, leite ou chá; com a regueifa ora simples, ora com queijo ou manteiga.
- Regueifa doce da Delícias do Castelo (Fotografia: Maria João Gala/GI)
- Regueifa doce da Delícias do Castelo (Fotografia: Maria João Gala/GI)
A tradição perdura e a regueifa doce da Feira terá, em breve, um roteiro dedicado ao seu expressivo significado na região. Santa Maria da Feira está a preparar uma candidatura à Rede de Cidades Criativas da UNESCO, na área da gastronomia regional, como elemento central da estratégia de afirmação cultural e da identidade histórica do concelho.
A regueifa tem lugar no projeto e na vontade de dinamizar a produção local, distribuindo produtos o na restauração e no comércio. Uma das ideias passa por criar um Observatório e um Hub Gastronómico no mercado municipal, para unir produtores, artistas, fornecedores, espaços de restauração.

Regueifa doce da Delícias do Castelo (Fotografia: Maria João Gala/GI)
Roteiro
A regueifa doce terá, em breve, um roteiro. Está a ser feito um levantamento dos produtores, mercearias, pastelarias, padarias, e já se contaram mais de 40. Terá ainda a vertente de passeio, com circuitos por percursos pedestres e passadiços do concelho.
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