Está em Galegos esta casa, a olhar para a altaneira Guarda desde 1983. Labora a mandos do biónico Maximiliano Gonçalves e da hiperoficiante chef Teresa Gonçalves, casal guardião dos bons costumes e tradições da Beira Interior. São por isso diversas as proximidades pressentidas numa primeira leitura ida ementa, percebemos o postulado principal da Colmeia, que é prioridade máxima à frescura e qualidade da matéria-prima.
A cozinha tem influências dos muitos sítios por onde passaram – sobretudo Espanha e Sabóia – e consegue ao mesmo tempo chegar ao rústico mais profundo, com utilização intensa dos produtos tradicionais da região. Aplaudo de pé o esforço conseguido de fazer da interioridade raiana plataforma para o mundo. E sentado aplaudo o contínuo de festa portuguesa que é cada refeição que aqui faço. Sentemo-nos.

Cozinha impoluta, carta de vinhos de truz e muito coração: o clássico Colmeia.
Vem uma garrafa de Beira Serra Selecção dos Sócios branco (9,75 euros), um dos chamados vinhos da casa, bem competente e saboroso. Max – é assim que gosta de ser chamado – gere uma copiosa garrafeira da Beira Interior e não só. Os peixinhos da horta em tempura com molho tártaro (7,50 euros), contidos na gordura e crocantes na consistência sossegam a alma mesmo que a fome aperte. Excelentes também os ovos rotos com presunto pata negra (9,90 euros) e a frigideira de cogumelos e ovos de codorniz (7,50 euros). Atenção ao património micológico da região, pode bem ser o próximo tesouro a descobrir.
Da provocadora secção de pratos de tacho, escolho o arroz de peixes do Atlântico com gambas (14,50 euros) e interceto a veloz chef Teresa no seu corrupio para lhe dar conta do prazer que me está a dar. Pureza cristalina, fundo imaculado e equilíbrio a toda a prova. Teleportação imediata para a beira-mar, maravilha arrozeira. Regresso a Galegos em aterragem suave para o prodigioso cabritinho das terras altas no churrasco (14,25 euros), quando se prova promete-se que nunca mais se come cabrito noutra casa. Carne suculenta, autenticidade e prioridade total ao sabor. Fecho a empreitada com o especialíssimo pudim abade de Priscos (4,75), inspirado e apropriado, mas que merece refinamento e confrontação com a receita original. Plataforma cósmica encontramos no Colmeia, está ratificada a coroa dada pelo brilhante concurso Beira Interior Gourmet, iniciativa sem par da CVR do mesmo nome. Fasquia bem elevada para a próxima edição, em 2021.
A refeição ideal
Peixinhos da horta em tempura com molho tártaro (7,50 euros)
Ovos rotos com presunto pata negra (9,90 euros)
Polvo quente com batatinha a murro e azeite aromatizado (16,90 euros)
Arroz de míscaros do campo (23,90 euros)
Bolo de bolacha (3,90 euros)
Avaliação
Sítio: 4,5 estrelas
Serviço: 4,5 esrelas
Comida: 5 estrelas
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