Cozinha regional e alvarinho: 6 boas mesas para conhecer em Melgaço

Bacalhau de cebolada do restaurante O Jardim. (Fotografia: Rui Manuel Fonseca/GI)
Cabrito, bacalhau e cozido à Portuguesa são alguns dos pratos tradicionais da cozinha minhota que têm lugar à mesa destes restaurantes da vila raiana. Mais haverão, mas com esta lista já se fica bem servido, até de alvarinho.

# O Vidoeiro

A dois minutos do parque de campismo, a posta grelhada, o cabrito e a vitela assada fazem as honras à mesa d’O Vidoeiro. Belas propostas para retemperar o estômago depois do treino intensivo nas alturas, e com um rico arroz de feijão a acompanhar qualquer que seja a escolha. Ao comando do negócio e da cozinha, está Laurinda Sousa, que há 3 anos tomou conta do restaurante, onda já antes tinha sido cozinheira. Além das carnes, também se junta ao leque de especialidades o bacalhau e o polvo. A casa, despretensiosa e de comida caseira, foi batizada em honra ao parque de vidoeiros do outro lado da estrada, e tal como se anuncia à entrada, tudo o que está na carta pode ser pedido para levar. Enquanto se espera pela encomenda, vale a pena picar os cogumelos, os enchidos e as pataniscas.

O Vidoeiro
Porto Ribeiro – Lamas de Mouro
Tel.: 251465566
Das 12h às 15h e das 19h às 22h. Encerra à segunda-feira.
Preço médio: 15 euros

 

# O Brandeiro

Encontra-se O Brandeiro a 1100 metros de altitude, na Branda da Aveleira, freguesia de Gave, com as montanhas e o Vale Glaciar do Rio Vez como plano de fundo, e o sol a aquecer o vento serrano desde madrugada até tarde avançada. O alpendre envidraçado permite apreciar a vista ao mesmo tempo que se saboreia uma boa carne cachena grelhada, especialidade da casa que Agostinho Alves abriu em 2015. “Começou como uma tasquinha. O objetivo era trabalharmos com os produtos locais”, conta. E assim continua, mas com uma sala mais elegante.

Além da carne bovina da raça autóctone da região, são também servido enchidos produzidos ali mesmo na Branda, queijos de cabra da Prados de Melgaço – um produtor local – e vinho alvarinho do concelho (em especial do Soalheiro, que ali tem um vinha plantada). Agostinho foi também o percursor do projeto de recuperação da Branda para fins turísticos, que evitou que esta ficasse ao abandono. Existem 12 casa já restauradas e a funcionar como alojamento. Para terminar o repasto, sugere-se o tradicional bucho doce – uma sobremesa feita à base de pão, ovos, açúcar e canela – servido com um favo de mel, também produzido ali, pois, pelas abelhas Buckfast da Branda da Aveleira.

O Brandeiro
Branda da Aveleira, Gave
Tel.: 933894259
Das 10h00 às 18h00. Encerra à segunda.
Preço médio: 20 euros

 

# Adega do Sossego

Foi em 1991 que nasceu a Adega do Sossego como hoje a conhecemos, pela mão de António Castro, mas a história desta casa tem raízes mais profundas. “O meu avô tinha um café à margem da estrada, onde se serviam petiscos caseiros e o vinho da casa, e havia um grupo de clientes habituais que começaram a pedir um lugar mais sossegado”, conta Joana, que ao lado do irmão, Daniel, são as caras bem-dispostas que recebem os clientes no restaurante da família. O avô acabou por levar os tais clientes para a antiga adega da casa, que rapidamente começou a ser apelidada de Adega do Sossego. Hoje, assim continua a ser, e a sala de ambiente rústico, com garrafas de vinho empoleiradas nas reentrâncias das paredes em pedra, continua a ser um lugar onde apetece prolongar os serões, com bom vinho e boa comida (duas coisas com fartura nesta casa).

Os pratos regionais fazem as honras à mesa: o bacalhau assado, o cabrito todos os domingos – quando não há lampreia, que é senhora e rainha em tempo dela -, galo de cabidela (por encomenda), a vitela grelhada e outros pratos de época, como é o sável frito com arroz de debulho. A confeção é irrepreensível, caseira e com produtos de qualidade – “só usamos lampreia do Rio Minho”, assegura Joana. E os apreciadores da iguaria, à falta de lampreia fresca têm oportunidade de provar a lampreia fumada que também ali se confeciona em belos petiscos – assada na brasa com azeite, enrolada com enchidos ou até panada e frita – para abrir a refeição ou simplesmente acompanhar um copo de vinho da casa. A Adega do Sossego é também produtora de vinho alvarinho e espumante, e dispõe de uma sala de provas. Recentemente lançaram ainda os serviços de take-away e home delivery, mas quem preferir conhecer de perto aquele recanto acolhedor, o melhor é mesmo fazer reserva.

Adega do Sossego
Avenida do Peso, 1179, Peso
Tel.: 251404308 / 913359807
Web: adegadosossego.com
Das 12h às 15h e das 19h às 22h. Encerra domingo ao jantar e quarta-feira todo o dia.
Preço médio: 30 euros

 


Melgaço: Pratos de conforto e sobremesas bonitas na Tasquinha da Portela


 

# Chafarix

São os pratos da cozinha minhota que mais atraem visitantes ao Chafarix: o bacalhau com broa na telha, o naco grelhado e o cabrito assado no forno (todos os domingos ou por encomenda). Mas também alguns pratos de assinatura, como o bacalhau ao alvarinho, com batata às rodelas, cebola marinada com vinho alvarinho e picadinho de pickles e ovo ralado. A receita foi invenção de Camilo Fernandes, mas é a sua mulher Francisca, quem a reproduz diariamente na cozinha, assim como as restantes propostas da carta, que chegam à sala, elegante e luminosa, com um empratamento bem atrativo. O chouriço assado, o folhado de queijo da serra com frutos vermelhos e o presunto são as estrelas que abrem a refeição. E desde o ano passado, o casal apostou também nas carnes maturadas: t-bone, tomahawk e costeletão, acabados na pedra, ao gosto do cliente. Para adoçar o final sugere-se a singela panna cotta de morango.

Chafarix
Praça Amadeu Abilio Lopes
Tel.: 251403400 / 936751060
Web: chafarix.com
Das 12h às 15h e das 19h às 22h. Encerra domingo ao jantar e segunda-feira todo o dia.
Preço médio: 20 euros

 

# O Jardim

O bacalhau com broa e o cozido à Portuguesa são as estrelas desta casa com mais de quatro décadas. E o alvarinho, de produção própria, também brilha à mesa. Foi em 1974 que Fernando Rodrigues, depois de regressar da tropa, decidiu abrir O Jardim, na altura ainda como uma pequena taberna – tinha um pequeno jardim com macieiras em frente à casa, que inspirou o nome -, mas desde sempre com o cozido como principal chamariz. Hoje, não há quinta-feira ou domingo em que falte a especialidade à mesa. Mas também saem outras travessas fartas da cozinha, liderada pela sua mulher Virgínia. Fala-se do bacalhau frito com cebolada e ainda do borrego e da feijoada. Com o tempo, o casal teve a necessidade de alargar o restaurante, procurado por comensais dos dois lados da fronteira, e sempre de mesas ocupadas pela tarde dentro. A par deste negócio, Fernando também tem uma propriedade com perto de quatro hectares de vinha alvarinho, que engarrafa e comercializa desde 2007 com a ajuda dos filhos. O vinho e espumante Casa de Canhotos tem sido reconhecido a nível nacional e internacional pela sua relação preço-qualidade.

O Jardim
Lugar de Canhotos
Tel.: 251416303
Das 12h às 15h. Encerra ao jantar.
Preço médio: 12 euros

 

# Tasquinha de Melgaço

Há um ano, Bruno Fernandes e Miguel Domingues deram uma nova vida à Tasquinha de Melgaço. O espaço já antes funcionava como restaurante, mas o serviço era mais voltado para os pratos do dia, explica Miguel. Decidido a mudar o rumo do negócio, pegou na experiência em restauração que ganhou no departamento de Food & Beverages no Monte Prado Hotel & Spa, e uniu forças com o primo Bruno para criar um restaurante diferenciador.
Agora, as apostas recaem em dois pratos de assinatura. O bacalhau com sapateira é o que mais tem dado que falar: é coberto por cebolada e uma pasta à base de sapateira, e acompanhado com batatas fritas às rodelas. “Estamos neste momento a tentar registar o prato”, assume Miguel. A outra especialidade também marca pela diferença. Em terras onde o forte é o naco de novilho, a Tasquinha de Melgaço apresenta uma naco de porco, regado com molho de alvarinho, feito a partir da uva esmagada com sementes de mostarda. É de sabor subtil, leve e fresco, o que faz do prato uma boa proposta para o verão. Na carta sobressaem ainda os cogumelos de produção local, salteados, e o entrecôte maturado.
O restaurante tem morada numa ruela recatada, no rés-do-chão de uma casa de traço rústico – “antigamente eram aqui as cortes dos animais”, informam os proprietários -, com paredes em pedra, onde se vão acumulando moedas nas reentrâncias.

Tasquinha de Melgaço
Rua do Eiró
Tel.: 934212619
Web: facebook.com/tasquinhademelgaco
Das 12h às 15h30 e das 19h às 22h30. Encerra segunda ao jantar e terça todo o dia. (Durante o verão não encerra)
Preço médio: 17 euros



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