Comer em conta: petiscos e diárias no Hell Bull, Pombal

(Fotografia: Nuno Brites/Global Imagens)
Em pouco mais de um ano, o restaurante que nasceu destinado à carne maturada e às tapas rapidamente abriu uma janela para os pratos do dia, ao almoço. E para os hambúrgueres artesanais, que reinam no takeaway.

O espaço é sofisticado e não faz adivinhar a relação qualidade-preço. Mas quem se aventurou a abrir um restaurante em 2019 teve que aprender a viver na corda-bamba, ao ritmo do confina, desconfina, e a reinventar-se. Foi o que aconteceu no Hell Bull, em Pombal.

Paulino Marques tinha aberto as portas em julho, e depois de um verão com grande movimento e de um final de ano sem mãos a medir, estava a saborear os primeiros meses de 2020 com grande entusiasmo. “O ano prometia muito, quando falávamos entre nós [o pessoal da restauração] achávamos que seria o melhor ano de todos os tempos”, refere.

Mas a pandemia trocou as voltas a tudo e a todos. Agora que já passaram nove meses e o concelho voltou a sair da lista daqueles onde figuram mais restrições, o restaurante voltou a funcionar com horário (quase) normal. Na verdade, à exceção dos meses em que o país confinou na globalidade, o Hell Bull manteve sempre as portas abertas ao almoço e jantar, e descobriu ainda o que Paulino classifica como “uma bela surpresa: o takeaway”.
Foi aí que os hambúrgueres artesanais reinaram, a par das francesinhas, com qualquer um deles a não chegar aos 10 euros. À hora de almoço, a par da carta que inclui estas e outras especialidades, há sempre dois pratos do dia. Podem ser costeleta à alentejana com abacaxi caramelizado, bacalhau lascado com espinafres e batata a murro, peixes ou carnes grelhadas.

Na cozinha, há uma preocupação de escapar aos acompanhamentos “tradicionais”, ao comum arroz-e-batata-frita, optando mais por gratinados, risotos, legumes salteados, outra diversidade. Por 8,5 euros é possível almoçar a refeição completa, excluindo a sobremesa. Ainda assim, se a incluir, o preço final tem um teto máximo de 10 euros, incluindo igualmente a bebida e o café.

E é muito difícil resistir a qualquer uma das que compõem a carta: floresta negra (que mistura queijo mascarpone, bolacha crocante, frutos vermelhos e creme de baunilha), cheesecake de morango ou brownie de chocolate com creme de avelãs.

Paulino é o segundo de três irmãos, todos ligados à restauração. Com o irmão mais novo, Raul, já trazia experiência de outro espaço na cidade, “A Variante”, onde se tem vindo a especializar nos grelhados. A família é natural de Abiul, uma antiga vila do concelho de Pombal que alberga a Praça de Touros mais antiga do país.

Aficionados por natureza, desde cedo os dois rapazes apostaram na carne de touro como especialidade. “E foi assim que nasceu a vontade de ter um espaço não apenas dedicado à carne maturada, mas que invocasse o touro”. Só que ali, no Hell Bull, Paulino assumiu as rédeas sozinho, criando sete postos de trabalho. E mesmo com a pandemia, não dispensou ninguém.

Para compensar os danos causados na faturação, ao longo dos últimos meses – e “para conseguir sobretudo manter toda a gente a trabalhar”, sublinha -, Paulino decidiu fazer uma pega de caras ao momento: a partir de janeiro o restaurante abdica da folga à terça-feira e passa a estar aberto todos os dias, ao almoço (para diárias em conta) e ao jantar, onde tudo é mais demorado, e igualmente saboroso.

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.



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