Comer em conta: em Paredes, os petiscos do Café Santos confortam corpo e alma

Café Santos, em Aguiar de Sousa, Paredes. (Fotografia: Octavio Passos/GI)
Com uma história com mais de 50 anos, o Café Santos tem vista privilegiada para a Boca do Inferno, local místico da Senhora do Salto. E tem também umas sandes que confortam o estômago e a alma.

A entrada faz-se por uma esplanada coberta pelas folhas de uma enorme figueira, mas é depois de atravessar a sala principal e chegar a um varandim com apenas três mesas corridas com tampo de lousa que o profundo encanto do Café Santos se revela. É aqui que tem de se sentar, com os olhos postos num imponente maciço rochoso (muito procurado para escaladas e rappel) e a observar o serpentear do rio Sousa até à famosa “Boca do Inferno”, local místico que deu fama e proveito à Senhora do Salto, em Aguiar de Sousa, concelho de Paredes.

Café Santos (Fotografia: Octavio Passos/GI)

 

Lá em baixo, o barulho da persistente água a tentar ganhar a guerra do tempo à pedra dura contrasta com a serenidade que se sente cá em cima, numa casa construída há mais de meio século, por António Joaquim Santos. Foi ele quem teve a feliz ideia de fazer nascer a sua habitação naquele que é um dos espaços mais emblemáticos do Parque das Serras do Porto e, de imediato, aproveitar um dos andares do edifício para dar de comer e beber aos amigos, mas também aos visitantes do local integrado na Rede Natura. Foi António Joaquim Santos, hoje com 89 anos mas ainda a alma do café, que criou o petisco que atrai, todos os dias, dezenas de pessoas àquele estabelecimento: uma febra em vinha-d’alhos, acompanhada por um ovo frito e recheada com uma fatia de queijo derretido. Tudo dentro de um pão estaladiço e com o tamanho ideal para que se possa comer não uma, mas duas febras temperadas com vinho tinto.

 

“O meu pai é que idealizou e começou a confecionar estas sandes, mas já há alguns anos que é a minha mãe que está na cozinha. Ela modificou um pouco a receita”, esclarece Cristina Santos, a filha dos proprietários que assumiu as rédeas do negócio. Com uma ou outra receita, o certo é que o povo aprecia, o preço é atrativo e a febra em vinha-d’alhos tornou-se um sucesso regional, comprovado por quem chega ali, vindo de longe ou de perto.

“Receita do Salto”
Quem estiver de dieta e quiser evitar as calorias da febra em vinha-d’alhos da D. Boanova Lopes (ou do pica-pau com queijo que é outra das especialidades do Café Santos) pode optar pela mais saudável, mas igualmente saborosa “punheta de bacalhau”. Não pode é deixar de regar a refeição com a famosa “Receita do Salto”, bebida feita com vinho castiço, cerveja e açúcar q.b..

 

É com este néctar que os muitos motards, ciclistas e turistas matam a sede sempre que atravessam a serra da Senhora do Salto e aproveitam o Café Santos para um curto período de descanso, uma pausa demorada para lanchar ou simplesmente para contemplar uma paisagem que é o âmago de um espaço despretensioso, acolhedor e com a capacidade de nos fazer esquecer as horas.

O único senão do Café Santos pode ser, sobretudo ao fim de semana, o tempo de espera para ter uma mesa disponível e ser servido. Escolha, por isso, um dia tranquilo, daqueles menos concorridos, para demorar o tempo necessário à contemplação que o local e os petiscos exigem.

Ponto de encontro
O estabelecimento é ponto de encontro para muitos dos que aproveitam o parque natural da senhora do salto para a prática desportiva. Alguns chegam de sapatilhas de corrida, outros em cima da moto de enduro com que percorrem os vários trilhos existentes na serra.

O MENU
Especialidade: 2,5 euros (Sandes de febra em vinha-d’alho, com ovo frito e queijo)
Outros petiscos: pica-pau misto (5,15 euros o prato pequeno; 15,40 euros o prato grande); “Punheta de bacalhau” (6 euros o prato pequeno; 11 euros o prato grande); Receita do Salto (5 euros caneca de 1 litro)

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